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"Tiradentes Esquartejado": a história de uma das obras que é símbolo do Museu Mariano Procópio

Por Roberta Oliveira

Quadro "Tiradentes Supliciado" ou "Tiradentes Esquartejado" foi doado ao Museu Mariano Procópio há 100 anos. Foto: Alice Costa/Mapro

O acervo de um museu contribui para contar histórias e ajudar a entender melhor quem fomos e quem podemos ser. Entre os itens que fazem parte do Museu Mariano Procópio, há um quadro conhecido nacionalmente e que faz parte dos livros escolares – "Tiradentes Supliciado" ou, como é popularmente conhecido, "Tiradentes Esquartejado".


Após anos guardada, a obra de Pedro Américo é uma das atrações da exposição "Rememorar o Brasil: a independência e a construção do Estado-Nação", em cartaz na instituição desde setembro deste ano. Ela está na sala com itens do acervo que dialogam com o regime republicano.


Nesta matéria, o historiador do Museu Mariano Procópio, Sérgio Augusto Vicente, contextualiza a obra e o período histórico em que foi feita, fala sobre a trajetória da rejeição à valorização e explica como uma representação artística relacionada à República chegou a um Museu famoso por preservar peças da história da Monarquia.


Rejeitada por não atender à expectativa dos republicanos


O historiador do Museu Mariano Procópio, Sérgio Augusto Vicente, fala sobre o autor do quadro, que representou em telas outro importante momento histórico brasileiro.



De acordo com o historiador, a tela foi produzida em um período histórico completamente diferente do fato que a inspirou – a morte de Tiradentes.



Ao ser concluída, a tela foi rejeitada pelos republicanos e por parte da crítica especializada da época. Sérgio Augusto Vicente explica que a opção feita pelo artista desagradou por não atender aos interesses dos governantes.




Alfredo Ferreira Lage trouxe obra para Juiz de Fora


Foi esta rejeição que trouxe a tela para Juiz de Fora. A obra foi comprada pela Câmara Municipal no final do século 19 porque um dos vereadores era Alfredo Ferreira Lage, futuro fundador do Museu batizado em homenagem ao pai, Mariano Procópio. E há exatos 100 anos, a tela chegou ao acervo da instituição.



O historiador aponta o paradoxo de ter uma tela com um personagem histórico condenado à morte por desafiar a Coroa Portuguesa em um Museu que já nasceu ligado à história da Família Imperial.



Além do valor de ser um quadro pintado por Pedro Américo, Sérgio Augusto Vicente destacou que a procura pelo diálogo entre posturas políticas extremas motivou Alfredo Ferreira Lage a aceitar a doação do quadro com uma imagem tão forte sobre Tiradentes para o acervo do Museu Mariano Procópio.



Desta forma, ressaltou o historiador do Museu Mariano Procópio, o quadro "Tiradentes Esquartejado" marca a conciliação entre interesses e atores políticos do Brasil do início do século 20 a respeito da narrativa histórica do país.



Visitação ao quadro "Tiradentes Esquartejado" no Museu Mariano Procópio Foto: Alice Costa/Mapro

De rejeitada à valorizada: a reviravolta da obra de Pedro Américo


Com a passagem do tempo, o quadro teve o valor reconhecido. Foi inclusive emprestado, com todas as medidas de segurança, para exposições especiais em Ouro Preto (MG), Belo Horizonte (MG), São Luiz (MA) e fez parte inclusive da XXVI Bienal de São Paulo, em 1998.


Sergio Augusto Vicente explica como o quadro de Pedro Américo superou a rejeição inicial e passou a ser valorizado


Atualmente, quem quiser ver o quadro "Tiradentes Supliciado" ou "Tiradentes Esquartejado" deve conferir a exposição "Rememorar o Brasil: a independência e a construção do Estado-Nação". A visitação está aberta de 9h às 16h de terça à sexta e das 10h30 às 16h aos sábados e domingos. E importante: a entrada é de graça.


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