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Roupas, peças de decoração e missais: a fé católica nos 101 anos do Museu Mariano Procópio

Por Roberta Oliveira

Missais do século XIX do acervo do Museu Mariano Procópio | Foto: Mapro/Divulgação

A Fundação Museu Mariano Procópio guarda e cuida de um acervo eclético com peças e obras de variados setores, origens e interesses. Entre elas, claro, há itens relacionados à fé católica.

Indumentárias como casulas e estolas, missais, imagens, peças de decoração e artísticas. Algumas vieram de outras cidades. A pedido da Catedral FM, o Supervisor de Restauração e conservação, Aloysio Gerhein, enumerou alguns itens relacionados ao catolicismo que estão no Museu Mariano Procópio.


E ainda tem mais itens guardados com cuidado pelo Museu Mariano Procópio. O historiador Sérgio Augusto Vicente fala sobre os missais que pertenceram a familiares, amigos e pessoas de alguma forma ligadas a Alfredo Ferreira Lage, que fundou o museu.



Missais em francês que fazem parte do Museu Mariano Procópio Foto Mapro/Divulgação

Além de objeto relacionado à fé, o historiador explica as características específicas dos missais e que estavam ligados ao costume das famílias ricas ou em contato com a nobreza no Brasil do século XIX.


Além de instrumento para a prática da fé, os livros também refletiam o status social dos donos, como analisa o historiador do Museu Mariano Procópio.


Sérgio Augusto Vicente reforçou que os missais ganham valor museológico ao contribuir para revelar um pouco da rotina da vida destas pessoas há mais de 100 anos.

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História do Museu Mariano Procópio*


Símbolo da memória do Brasil, o Museu Mariano Procópio é resultado da obstinação do colecionador Alfredo Ferreira Lage (1865-1944), que dedicou sua vida à formação de um dos mais significativos acervos artísticos, históricos e de ciências naturais.


Aberto à visitação em 1915 como museu particular, o Museu Mariano Procópio só foi oficialmente inaugurado no dia 23 de junho de 1921. A data foi especialmente escolhida por seu fundador para celebrar o centenário de nascimento de seu pai, o comendador Mariano Procópio Ferreira Lage (1821- 1872), idealizador e empreendedor da primeira estrada de rodagem macadamizada do Brasil, a “União e Indústria”, ligando Petrópolis a Juiz de Fora, que foi inaugurada no ano de 1861, também no dia 23 de junho, com a presença do imperador Pedro II e sua família, de importantes políticos e convidados da corte.


Inicialmente o Museu ocupou a sede da chácara, hoje denominada Villa Ferreira Lage, erguida por Mariano Procópio no alto de uma colina, revelando-se uma obra de arte em estilo neorrenascentista, cujo projeto é de autoria do arquiteto alemão Carlos Augusto Gambs.


Quanto ao parque, que valoriza a flora exótica e brasileira, é atribuído ao francês Auguste François Marie Glaziou, conhecido por outros importantes projetos de jardins brasileiros, entre os quais o Parque de Santana, o Passeio Público e a Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro. O naturalista suíço Jean Louis Rodolphe Agassiz (1807-1873) surpreendeu-se em sua visita e disse que a chácara de Mariano Procópio se tornaria o “Paraíso dos Trópicos”, como relatou em seu livro Viagem ao Brasil – 1865 – 1866.


A ampliação do acervo de Alfredo Ferreira Lage levou à construção de um prédio anexo, a galeria de Belas-Artes, inaugurada em 13 de maio de 1922. Trata-se da primeira edificação brasileira construída com finalidade de ser museu. O planejamento de arte, onde se destacam o lanternim e a claraboia, é de Rodolpho Bernardelli.


Como havia anunciado em 1921, Alfredo Ferreira Lage formalizou a doação do Museu, acervo e parque ao Município, sem nada exigir para si, nem para seus herdeiros, em 29 de fevereiro de 1936. Para o fiel cumprimento da doação, criou o Conselho de Amigos do Museu Mariano Procópio, que vem atuando como guardião da instituição e que é responsável pela indicação do diretor, através de lista tríplice enviada para escolha do prefeito.


O acervo, constituído de objetos valor histórico, artístico e científico, faz do Museu Mariano Procópio um dos mais importantes núcleos de saber do país. Trata-se de uma coleção nacional e de relevância internacional, entre pinturas, esculturas, gravuras, desenhos, livros raros, documentos, fotografias, mobiliário, prataria, armaria, numismática, cartofilia, indumentária, porcelanas, cristais e peças de História Natural.


Obras de expoentes da pintura europeia, como os franceses Charles François Daubigny (1817-1878) e Jean Honoré Fragonard (1732-1806) e o holandês Willem Roelofs (1822-1897), são destaques no acervo, ao lado de trabalhos de brasileiros como Pedro Américo de Figueiredo e Melo (1843-1905), Rodolfo Amoedo (1857-1941) e Belmiro de Almeida (1858-1935). Esculturas e moldes de gesso, principalmente do século XIX, também projetam o acervo, reunindo obras de artistas como Clodion, Marius Jean Mercié, Rodolfo Bernardelli, Modestino Kanto e José Otávio Correia Lima.


O Império brasileiro é um dos destaques do acervo. Os trajes da coroação, da maioridade e do casamento de D. Pedro II e o traje de corte da Princesa Isabel estão entre as mais significativas peças da indumentária da instituição. O acervo de mobiliário é considerado um dos mais importantes do país, destacando-se pela coleção de peças a partir do século XVI até o século XIX, estas, em grande parte, provenientes do Palácio de São Cristóvão, no Rio de Janeiro.


As significativas doações da Viscondessa de Cavalcanti (1853-1946) se destacam no acervo nas mais diversas categorias, entre as quais a numismática, reunindo desde moedas greco-romanas a raras medalhas europeias. O Museu Mariano Procópio guarda, ainda, parte da história da armaria, com destaque para um punhal do século XVI, com bainha em marfim, veludo e aço, que pertenceu ao Rei Francisco I (1515-1547), da França, e um Polvorinho de marfim, do rei Augusto Sigismundo II (1548-1572), da Polônia


* Fonte: Site da Prefeitura de Juiz de Fora



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