top of page
  • Foto do escritorRadio Catedral

Onça-pintada no Jardim Botânico: o legado 4 anos após a visita inesperada à Juiz de Fora

Por Roberta Oliveira

Um dos registros da onça-pintada no Jardim Botânico Foto: Pedro Nobre/UFJF

Há quatro anos, no dia 25 de abril de 2019, uma onça-pintada macho foi avistada no Jardim Botânico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Durante pouco mais de duas semanas, a cidade comentou as peripécias do felino, que saiu da área preservada, passeou por ruas de bairros vizinhos até ser capturado e levado para uma nova área florestal, mais ampla e segura.


Nesta semana, a UFJF informou que a onça-pintada, batizada pela equipe como Juiz, está vivendo no Parque Estadual do Rio Doce, onde há outras onças. Inclusive, imagens capturadas por pesquisadores registraram uma onça-pintada fêmea acompanhada de filhotes.


Por isso, o quadro “Você sabia?”do Manhã de Bênçãos desta sexta-feira, 28, relembrou a inesperada visita da onça-pintada, em uma entrevista com o professor Breno Moreira, diretor do Jardim Botânico da UFJF.



Inesperada, rara e perigosa

Breno Moreira, diretor do Jardim Botânico da UFJF, destacou que é muito rara a presença de onças pintadas nestas áreas de remanescentes da Mata Atlântica em Juiz de Fora e na Zona da Mata.


Quatro anos depois, não se sabe com certeza sobre a origem e o motivo que trouxe a onça à Juiz de Fora. Durante a permanência na cidade. ela foi vista em um hotel, passeando no bairro Industrial, parada à beira do Rio Paraibuna e na ponte que leva à Mata do Krambeck. Breno Moreira explicou que essa circulação colocava tanto ela quanto os moradores em risco.



Foram 17 dias de passeios por JF até a onça-pintada ser capturada Foto: UFJF

Captura


A presença da onça-pintada em Juiz de Fora mobilizou equipes de nove instituições públicas, que atuaram em conjunto para a captura do felino, que circulou pelo menos desde 25 de abril de 2019 a 12 de maio, quando foi pego em armadilha no Jardim Botânico, onde foi mais avistado.

Foram mais de duas semanas com as equipes de professores e especialistas tentando capturar a onça e ela deu trabalho, como explica o diretor do Jardim Botânico.


Casa nova


À época, o animal tinha 51,6 quilos e 1,81 metro de comprimento. A idade estimada era de 4 anos, um jovem adulto, robusto, com a pelagem boa e todos os dentes.


Depois a onça foi levada pra um local mais adequado para a vivência dela. Na época, isso foi mantido em sigilo por causa da repercussão do caso, mas nesta semana foi informado que ela foi introduzida no Parque Estadual do Rio Doce.



O Parque Estadual do Rio Doce fica na região do Vale do Aço (MG), possui 35.976 hectares. Esta é a maior área contígua de Mata Atlântica preservada do estado – o mesmo bioma do Jardim Botânico. Para se ter uma ideia, segundo a UFJF, a área é mais de 430 vezes maior do que o Jardim Botânico, que tem 82,7 hectares. E quase 100 vezes mais amplo do que a Mata do Krambeck inteira.


Registro feito em 2019 da onça-pintada que esteve em JF já na reserva para onde foi levada Foto: Pedro Nobre/UFJF

A onça-pintada foi batizada como Juiz, pela equipe do projeto de monitoramento de carnívoros de grande e médio porte, no Parque do Rio Doce, o “Carnívoros do Rio Doce – fase Onças do Rio Doce”.


O trabalho é realizado pelo Instituto Prístino, em cooperação técnica com a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), o Ministério Público de Minas Gerais e a Plataforma Semente.


Em 2020, a UFJF anunciou que o colar de monitoramento da onça-pintada tinha sido encontrado.

Segundo a UFJF, um dos vídeos mais recentes da onça que circulou pelo Jardim é datado de 2021. Outras gravações de felinos foram feitas, em 2022, mas ainda estão sendo analisadas, devido a entraves relacionados à pandemia.



Filhotes na área

Nesta semana, no quarto aniversário da "visita" da onça-pintada, a UFJF divulgou um um vídeo onde aparecem dois filhotes de onça-pintada, gravado, em janeiro de 2023, no Parque Estadual do Rio Doce. As gravações são feitas por meio de armadilhas fotográficas, acionadas automaticamente por meio de sensores de calor e movimento. Os equipamentos são instalados em árvores ou outros suportes pela equipe de monitoramento.


Quando foi feito o vídeo, os filhotes estavam com cerca de um ou dois meses de idade. Além deles, também foi registrado um terceiro filhote, de outra fêmea.



O coordenador de projeto de monitoramento no Parque do Rio Doce é o professor Fernando Azevedo, da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), disse que não há como afirmar se os filhotes são frutos de reprodução do felino que circulou em Juiz de Fora, que ele foi um dos responsáveis pela captura.


Segundo ele, seria necessário realizar testes genéticos nos filhotes, para verificar a correspondência de DNA. Além disso, o Juiz transita na área onde está a fêmea, mas não é o macho dominante no território. A UFJF destacou que vivem 12 onças pintadas na região do Parque do Rio Doce: 9 adultos - 3 machos e 6 fêmeas - e os 3 filhotes.


A onça-pintada está na lista dos animais ameaçados de extinção. Existem apenas cerca de 300 onças-pintadas vivendo na Mata Atlântica, conforme levantamento realizado em 2016.



Legado do Juiz no Jardim Botânico

E claro, quem visita o Jardim Botânico, é informado sobre a história da visita da onça pintada. Por isso, Breno Moreira deixa o convite para as pessoas conhecerem o local.

A visitação ao Jardim Botânico é gratuita. O endereço é Rua Coronel Almeida Novaes, 246, Santa Terezinha. Funciona de terça a domingo, das 8h às 17h, com última entrada permitida até 16h. Outras informações estão no site do Jardim Botânico.

42 visualizações0 comentário

Comments


bottom of page