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UFJF, UFV, UFSJ compartilham nota contra contingenciamento de recursos pelo governo federal

Por Rádio Catedral

Segundo UFV, medida representa R$ 7.912.513,00 a menos no orçamento da instituição Foto: UFV/Divulgação

As universidades Federais de Juiz de Fora, São João del-Rei e Viçosa compartilharam, nesta quarta-feira, 5 de outubro, a nota da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) contra decisão do governo real de contingenciar recursos das instituições federais de educação e do ensino superior.

O decreto 11.216 publicado na sexta-feira passada, 30 de setembro, corresponde a um corte de R$ 328,5 milhões. Leia abaixo a íntegra do texto da Andifes.


Impacto nas instituições


Segundo a UFV, somados aos outros cortes realizados neste ano, a medida representa R$ 7.912.513,00 a menos para manutenção das atividades de ensino, pesquisa e extensão.


Na nota, o reitor Demétrius David da Silva reforçou que todas as adaptações necessárias e possíveis foram realizadas e o cenário anuncia o sucateamento dos serviços e a proximidade da paralisação das atividades.


A UFJF e a UFSJ não informaram o valor retido pelo governo federal.


Decisão do governo federal contingencia recursos dos Institutos e Universidades federais Imagem Reproducão

Andifes vai discutir situação


A Andifes informou que com mais este contingenciamento, foram retirados das universidades federais R$ 763 milhões do orçamento aprovado para este ano. A associação reforça que a limitação no fim do exercício financeiro de 2022 vai inviabilizar qualquer forma de planejamento das instituições.


O assunto será tema de uma reunião remota do Conselho Pleno da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) na manhã desta quinta-feira, 6, para debater ações e providências.


Íntegra da nota da Andifes


Considerando a já preocupante situação financeira vivenciada pelas universidades federais, agravada pela edição de novo decreto, a Diretoria da Andifes está convocando uma reunião extraordinária de seu conselho pleno, para esta quinta-feira, 6, às 10h, em modalidade remota, para discutir o contexto e debater as ações e providências.

Na última sexta-feira, dia 30 de setembro, às vésperas do primeiro turno das eleições, o Governo federal publicou uma norma (o Decreto 11.216, que altera o Decreto nº 10.961, de 11 de fevereiro de 2022, referente à execução do orçamento deste ano em curso) sacramentando novo contingenciamento no orçamento do Ministério da Educação (MEC).

Dessa vez, no percentual de 5,8%, resultando em uma redução na possibilidade de empenhar despesas das universidades no importe de R$ 328,5 milhões.


Este valor, se somado ao montante que já havia sido bloqueado ao longo de 2022, perfaz um total de R$ 763 milhões retirados das universidades federais do orçamento que havia sido aprovado para este ano. Nesta terça-feira, 4 de outubro, fomos chamados pelo Secretário da Educação Superior, Wagner Vilas Boas de Souza, para reunião, juntamente com o secretário adjunto da Secretaria de Educação Superior (SESu) do MEC, Eduardo Salgado, e, na nesta quarta-feira, a diretoria executiva da Andifes e sua secretaria executiva ouviram o seguinte detalhamento deste contingenciamento:


– Que na data de terça (4 de outubro) o MEC foi comunicado pelo Ministério da Economia destas “limitações de empenho” e que imediatamente tomou a iniciativa de marcar reunião com a Andifes;


– Que o decreto formaliza o contingenciamento no âmbito de todo o MEC de R$ 2.399 bilhões (R$ 1.340 bilhão anunciado entre julho e agosto e R$ 1.059 bilhão agora). Esse bloqueio impacta, inclusive, nos recursos frutos de emendas parlamentares – RP9. Na prática, toda emenda que ainda não tenha sido empenhada será retirada do limite;


– Por uma análise preliminar do novo decreto, este contingenciamento afetou praticamente todos os ministérios, mas o mais impactado foi o Ministério da Educação, que arcou com quase metade da limitação das despesas;


– Diferentemente do que ocorreu por ocasião do outro bloqueio ocorrido em agosto, quando os cortes no MEC foram assimilados em uma ação orçamentária específica do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), desta vez as limitações foram distribuídas em todas as unidades do MEC, incluindo universidades federais, institutos federais e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que sofreram o mesmo corte linear de 5,8%;


– Conforme consta no Anexo II do decreto, no dia 1º de dezembro deste ano; os valores serão descontingenciados e os limites de empenho serão retomados. Mas não há garantia de que não possa haver uma nova normatização que mude este quadro.


A diretoria da Andifes, que já buscava reverter os bloqueios anteriores para o restabelecimento do orçamento aprovado para 2022, sem os quais o funcionamento das universidades já estava comprometido, aduziu que este novo contingenciamento coloca em risco todo o sistema das universidades. Falou ainda da surpresa com esse critério de limitação de empenhos no mês de outubro, quase ao final do exercício, que afetará despesas já comprometidas, e que, em muitos casos, deverão ser revertidas, com gravíssimas consequências e desdobramentos jurídicos para as universidades federais.


Esta limitação estabelecida pelo Decreto, que praticamente esgota as possibilidades de pagamentos a partir de agora, é insustentável. Pediu-se, por fim, que, dada a gravíssima situação, fosse considerada a hipótese de o MEC absorver essa restrição de gastos das universidades com outras rubricas da pasta, tal como ocorreu no bloqueio anterior.


Lamentamos, por fim, a edição deste decreto que estabelece limitação de empenhos quase ao final do exercício financeiro, mais uma vez inviabilizando qualquer forma de planejamento institucional, quando se apregoa que a economia nacional estaria em plena recuperação. E lamentamos também que seja a área da educação, mais uma vez, a mais afetada pelos cortes ocorridos.


Diretoria Executiva da Andifes Brasília, 5 de outubro de 2022

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