Procon de Juiz de Fora instaura investigação contra Itaú sobre fechamento de agências
- Silvia Carvalho
- há 44 minutos
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Por Rádio Catedral

O Procon de Juiz de Fora instaurou uma investigação preliminar contra o Itaú Unibanco por causa do fechamento de agências físicas no município. A apuração busca verificar possíveis violações aos direitos do consumidor, principalmente de idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade, que dependem do atendimento presencial.
De acordo com o Procon, somente em Juiz de Fora, três agências do banco foram fechadas recentemente. O órgão avalia que a migração compulsória para canais digitais estaria sendo feita sem transparência, sem diálogo com a comunidade e sem a oferta de alternativas adequadas para quem não consegue ou não tem acesso aos serviços digitais.
A investigação aponta indícios de irregularidades, como falhas no direito à informação clara, queda na qualidade do atendimento com sobrecarga das unidades remanescentes e dificuldades no exercício de direitos dos consumidores.
Segundo o Procon, cerca de vinte por cento das notificações enviadas ao banco não recebem resposta, e a taxa de resolutividade em audiências é de pouco mais de dez por cento. Além disso, entre agosto e outubro de dois mil e vinte e cinco, o Itaú deixou de comparecer a vinte e cinco das quarenta e duas audiências para as quais foi convocado.
Também são citadas possíveis práticas abusivas, como a exclusão financeira de idosos, a alteração unilateral das condições do serviço com a redução do atendimento presencial e a violação do princípio da boa-fé. O Procon ainda aponta a possibilidade de dano moral coletivo, ao comprometer o acesso a serviços bancários essenciais e a dignidade da população afetada.
Como primeiras medidas, o Itaú foi notificado a apresentar, no prazo de dez dias, informações detalhadas sobre os estudos que embasaram o fechamento das agências, o perfil dos clientes prejudicados e as alternativas oferecidas. Em até 48 horas, o banco também deve adotar uma medida reparatória imediata, que pode incluir a suspensão de novos fechamentos, a reabertura temporária das agências encerradas ou a oferta de unidades móveis de atendimento.
A superintendente do Procon de Juiz de Fora, Tainah Moreira, afirmou que o objetivo da investigação é garantir o respeito aos direitos da população. Segundo ela, um progresso que exclui não pode ser considerado avanço, e a digitalização sem diálogo e sem responsabilidade social compromete a dignidade dos consumidores.
O Procon alerta que o descumprimento das determinações pode configurar crime de desobediência e gerar penalidades administrativas. O Sindicato dos Bancários de Juiz de Fora também foi comunicado sobre a abertura do procedimento.
A Rádio Catedral entrou em contato com a Assessoria de Imprensa do Banco Itaú, mas até o fechamento desta edição não teve retorno sobre o caso.





