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Leão XIV: redescobrir a caridade cotidiana, livre da escravidão das aparências

  • Foto do escritor: Radio Catedral
    Radio Catedral
  • 15 de nov. de 2025
  • 4 min de leitura

Por Rádio Catedral


Foto: Vatican Media
Foto: Vatican Media

O Papa recebeu em audiência as monjas da Federação dos Mosteiros Agostinianos da Itália, "Mãe do Bom Conselho", e se concentrou em três aspectos de sua "missão de serem contemplativas na Igreja hoje": "Viver e testemunhar a alegria da união com Deus" e "o testemunho da caridade". "Que o exemplo de amor silencioso e oculto de vocês seja de ajuda" para o mundo de hoje, disse o Pontífice.


Leão XIV, religioso agostiniano, não escondeu sua alegria ao chegar à Sala do Consistório na Residência Apostólica Vaticana. A Ordem à qual ele pertence celebra, nesta quinta-feira, 13 de novembro, o aniversário do nascimento de Santo Agostinho e de todos aqueles que na Igreja seguiram seus passos.


A audiência às monjas da Federação dos Mosteiros Agostinianos da Itália, "Mãe do Bom Conselho", reunidas em Roma desde a última segunda-feira para sua assembleia ordinária, também é um momento de alegria.


Para selar o momento, ao final do encontro, as religiosas presentearam o Papa com uma reprodução em cerâmica do brasão agostiniano, que simboliza a conversão do grande Padre da Igreja, um coração transpassado pela Palavra que arde de amor, produzida pela oficina do Mosteiro de Santo Agostinho em Rossano.


Caminhar juntos


O Papa saudou a recém-eleita presidente, irmã Mariarosa Guerrini, do mosteiro de Santa Clara da Cruz em Montefalco, agradeceu "quem a precedeu pelo trabalho realizado" e enfatizou que a Federação "Mãe do Bom Conselho" "une diversas realidades monásticas, unidas pelo mesmo carisma", um aspecto particularmente significativo "num momento em que toda a Igreja está comprometida em aprofundar e promover a sua dimensão sinodal".


A este respeito, o Pontífice destacou a importância de "caminhar juntos" na "sequela Christi", enfatizada pelo Papa Francisco na abertura do Sínodo sobre a Sinodalidade em 10 de outubro de 2021, encorajando a "escutar unidos a voz do Espírito", a voltar-se para o outro e a deixar-se "tocar pelas perguntas dos nossos irmãos e irmãs, [...] para que a diversidade [...] nos enriqueça".


Na prática, este é "um testemunho profético de caridade particularmente útil hoje" no mundo atual, "cada vez menos disponível ao diálogo e à partilha".


Três aspectos para reflexão


O Papa Leão proferiu um discurso intenso às monjas, de inspiração agostiniana, detendo-se na sua "missão de serem contemplativas na Igreja hoje" e propondo três aspectos sobre os quais refletir: "Viver e testemunhar a alegria da união com Deus", "o testemunho da caridade" e a realidade da Federação.


Viver e testemunhar a alegria da união com Deus


Sobre o primeiro aspecto, "viver e testemunhar a alegria da união com Deus", o Papa lembrou que Santo Agostinho escreveu várias vezes sobre o assunto e citou as Confissões, onde ele “fala de uma alegria concedida àqueles que servem ao Senhor por puro amor” e diz que “a felicidade” é “desfrutar” por Deus, de Deus, por causa de Deus, “fora isso, não há outra”.


“A plena alegria do ser humano, especialmente dos cristãos, reside na comunhão com o Senhor, nessa intimidade com o Esposo celeste a quem vocês, por vocação, dedicam toda a sua vida.”


Este era um "grande desejo" do Bispo de Hipona, "um sonho que ele teve de abandonar devido aos compromissos do seu ministério", explicou o Pontífice, que pediu às monjas um compromisso concreto.


“Meu primeiro convite a vocês, portanto, é que se dediquem com amor incondicional a este chamado, abraçando com paixão a vida claustral: a liturgia, a oração comum e pessoal, a adoração, a meditação na Palavra de Deus e a ajuda recíproca na vida comunitária. Isso lhes dará paz e consolo, e a quem bate às portas de seus mosteiros, uma mensagem de esperança mais eloquente do que mil palavras.”


O testemunho da caridade


A respeito do "testemunho da caridade", Leão XVI recordou a recomendação de "imitar em comunhão fraterna a vida da primeira comunidade cristã" contida na Regra de Santo Agostinho.


O Doutor da Graça desejava que as normas que escreveu fossem observadas "com amor", "como apaixonados da beleza espiritual que exalam o bom perfume de Cristo de sua santa convivência".


O Papa exortou as religiosas de clausura a "espalharem o bom perfume de Deus no mundo", amando-se reciprocamente "com afeto sincero, como irmãs", e levando "em seus corações, em segredo, todo homem e mulher deste mundo, para apresentá-los ao Pai" em oração.


Ele as exortou a "prestarem atenção e a cuidarem umas das outras" e a serem "um modelo de cuidado para todos, onde quer que a necessidade o exija e as circunstâncias o permitam", tudo isso "sem alarde".


“Numa sociedade tão focada na exterioridade, onde, para ganhar destaque e aplausos, por vezes não se hesita em violar o respeito pelas pessoas e seus sentimentos, que o seu exemplo de amor silencioso e discreto ajude a redescobrir o valor da caridade quotidiana e discreta, centrada na essência do querer bem e livre da escravidão das aparências.”


A Federação


Por fim, Leone reiterou o convite à "forma associativa" na vida monástica, defendida por Pio XII na Constituição Apostólica Sponsa Christi, para "uma distribuição mais fácil e conveniente dos ofícios, uma transferência temporária útil e muitas vezes necessária, por vários motivos, de religiosas de um mosteiro para outro, ajuda financeira recíproca, coordenação de trabalho, defesa da observância comum e outras razões".


Da parte do Papa Francisco na Vultum Dei quaerere, "seguiram-se diretrizes de implementação precisas na Instrução Cor orans", para que "os mosteiros que compartilham o mesmo carisma não permaneçam isolados, mas o preservem na fidelidade e, oferecendo-se mutuamente apoio fraterno, vivam o valor indispensável da comunhão".


Essas medidas destacam "o quanto a Igreja valoriza as formas de colaboração", disse o Papa, que também vê com bons olhos "as iniciativas propostas, inclusive no âmbito nacional, e se abre, quando necessário, a oportunidades especiais de apoio, como a filiação".


"Um desafio exigente", mas que deve ser enfrentado "mesmo ao custo de escolhas e sacrifícios difíceis" e "superando" a tentação da "autorreferencialidade", que Leão sugere enfrentar levando a sério o que Santo Agostinho escreve em Contra Fausto: "O que você deseja é belo e supremamente digno de ser amado [...].


Que este ardor o ajude não a rejeitar a ordem, mas sim a aceitá-la, pois sem ela não se pode alcançar aquilo que se ama tão ardentemente."


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