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Fim de um capítulo doloroso: Hospital-Colônia de Barbacena encerra ciclo de 115 anos

  • Foto do escritor: Radio Catedral
    Radio Catedral
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Por Rádio Catedral


Foto: Pedro Chagas/Fhemig.
Foto: Pedro Chagas/Fhemig.

O antigo Hospital-Colônia de Barbacena encerrou definitivamente as atividades de internação de longa permanência, colocando um ponto final em uma história de 115 anos marcada por isolamento, exclusão social e violações de direitos humanos.


Os últimos 14 pacientes que ainda viviam institucionalizados foram transferidos para uma residência terapêutica preparada para acolhê-los com acompanhamento especializado e cuidado humanizado.


O encerramento foi celebrado pelo Governo de Minas Gerais como um marco histórico para a saúde mental brasileira. A partir de agora, o Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena permanece em funcionamento apenas para atendimentos ambulatoriais e casos agudos de saúde mental, dentro das diretrizes da Rede de Atenção Psicossocial do Sistema Único de Saúde.


Foto: Pedro CHagas/Fhemig.
Foto: Pedro CHagas/Fhemig.

Para simbolizar o fim desse ciclo, autoridades estaduais participaram do fechamento simbólico da porta do Pavilhão Antônio Carlos, representando o compromisso com a memória, a dignidade humana e o cuidado em liberdade.


Para o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, este é o ponto final de uma história construída por muitos personagens.



A presidente da Fundação Hospitalar de Minas Gerais, a Fhemig, Renata Dias, também destacou a emoção de estar finalizando um processo de transformação.



O atual diretor do Complexo Hospitalar de Barbacena, Claudinei Emídio Campos, destacou que a palavra para definir o fechamento deste ciclo é a liberdade.



Os últimos moradores transferidos viveram, em média, 49 anos internados. Hoje, a média de idade deles é de 73 anos, e alguns chegaram à instituição ainda na adolescência.


A história do Hospital-Colônia de Barbacena ganhou repercussão nacional ao longo dos anos após denúncias, fotografias e documentos revelarem a realidade vivida dentro da instituição. Entre 1942 e 2020, cerca de 40 mil pessoas passaram pelo local e aproximadamente 24 mil morreram na unidade.


Criado em 1903, inicialmente como Sanatório de Barbacena, o espaço se tornou hospital psiquiátrico em 1911 e virou símbolo do modelo manicomial brasileiro. Hoje, parte dessa memória está preservada no Museu da Loucura para que esse passado não seja esquecido.


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