Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Parolin, pede orações pelos cristãos perseguidos
- Silvia Carvalho
- há 24 horas
- 3 min de leitura
Por Antonella Palermo - Cidade do Vaticano

No auge do Jubileu que comemora o nono centenário da transladação das relíquias de Santa Águeda de Constantinopla para Catânia, o cardeal secretário de Estado Pietro Parolin presidiu na noite de 17 de agosto a Missa na catedral a ela dedicada, levando "a esta amada terra da Sicília" a bênção e o afeto do Papa, que se une espiritualmente à alegria dos cidadãos reunidos em torno de uma antiga devoção à sua padroeira.
"Celebrar este aniversário - enfatizou o purpurado - significa reconhecer que o Senhor tem sido fiel à sua Igreja ao longo dos séculos, sustentando-a nas provações, purificando-a nas dificuldades e continuamente renovando-a pelo testemunho dos santos". Em sua homilia, Parolin fez um convite especial para rezar por "nossos tantos irmãos e irmãs espalhados pelo mundo que sofrem perseguição pelo nome do Senhor e do seu Evangelho". Após a celebração, uma procissão com as relíquias da Santa percorreu algumas das principais ruas do centro histórico.
Uma santidade que não pertence aos museus da memória
"Santa Águeda não pertence simplesmente à história de Catânia: ela pertence ao presente de Deus e continua a caminhar com o seu povo", acrescenta o cardeal, citando Santo Agostinho e Tertuliano para recordar a importância dos mártires, que devem ser louvados não tanto pelo seu sofrimento, mas pela sua perseverança, como disse o Santo de Hipona. "O sangue dos mártires - salientou o apologista cristão de Cartago - não é sinal de derrota, mas a semente da qual a Igreja floresce continuamente". Disto o convite do legado papal para olhar para Águeda como uma mulher que pode inspirar a fé hoje porque é "uma santidade que não pertence aos museus da memória, mas continua a gerar fé, esperança e caridade".
Deus permanece fiel mesmo quando tudo parece perdido
Comentando as passagens bíblicas da liturgia do dia, a narrativa do martírio dos sete irmãos Macabeus e sua mãe, e a Carta do Apóstolo Paulo, o cardeal Parolin destaca como pertencer a Cristo transcende qualquer tentação de fazer concessões. Isso aconteceu com Águeda, cujo martírio "não é primordialmente a história da violência sofrida, mas a manifestação de um amor que nenhuma violência poderia extinguir". Aconteceu também com Paulo, que experimentou incompreensão, perseguição e fragilidade, mas continuou a "proclamar Cristo com uma serenidade surpreendente".

O poder pertence a Deus, não aos homens
A reflexão de Parolin diz respeito à própria Igreja, que, explica ele, "não vive de sua própria eficiência, mas da graça de Deus; não se fundamenta nas capacidades de seus membros, mas na fidelidade do Senhor que continua a operar na fraqueza humana". Ele então retorna ao chamado que permeia as Escrituras: "Não tenham medo". “Não se trata simplesmente de encorajamento psicológico, mas do próprio fundamento da nossa vida cristã. Jesus não promete uma vida livre de provações e tribulações; ele promete algo muito maior.”
O cardeal Parolin concentra-se nos cristãos perseguidos em muitas partes do mundo: “Lembremo-nos, portanto, e rezemos neste momento por todos os nossos irmãos e irmãs espalhados pelo mundo que sofrem perseguição por causa do nome do Senhor e do seu Evangelho. Mas não nos esqueçamos de que existe também um martírio, por assim dizer, sem derramamento de sangue, ao qual também nós somos chamados”, acrescenta.
Santidade diária, o martírio da fidelidade
Existem, portanto, duas maneiras de manifestar o amor incondicional por Cristo: o martírio de sangue e aquele, talvez menos visível, que cada um de nós pode experimentar no nosso dia a dia, “o martírio diário da fidelidade”, como o define o cardeal, citando, a título de exemplo, os cônjuges que preservam o seu amor em meio às dificuldades; os pais que educam os filhos na fé cristã; os jovens que não cedem à cultura das aparências; os sacerdotes e consagrados que generosamente dedicam suas vidas; os idosos que oferecem seus sofrimentos com confiança; aqueles que, em silêncio, diariamente escolhem a justiça em vez do compromisso, a verdade em vez da conveniência, o perdão em vez da vingança. Esta, insiste ele, é a santidade cotidiana da qual falou o Concílio Vaticano II.
O mal não se vence com mais mal
Catânia possui uma imensa herança de fé, cultura, piedade popular e caridade, observa Parolin, uma herança que não deve ser desperdiçada ou estéril, mas sim preservada para que possa dar frutos. Assim, mantendo firmemente em mente o ensinamento dos santos — o mal não se vence com mais mal, mas sim com aquela caridade que nasce da Cruz e que transforma a história por dentro — seremos capazes de enfrentar os muitos desafios da região: a pobreza, a desigualdade, a situação difícil de muitos jovens forçados a buscar seu futuro em outros lugares, as dificuldades das famílias, o fenômeno da nova pobreza material e espiritual.






Comentários