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  • Foto do escritorRadio Catedral

São Bento, Homem de Deus



No dia 11 de julho celebramos a Festa Litúrgica de São Bento. Desde criança fui habituado com sua espiritualidade. É o glorioso Padroeiro de minha cidade natal, e a casa de meus pais era a mais próxima da Igreja Matriz. Cresci vendo a bela imagem, de iconografia imberbe, no alto do trono de um altar belíssimo, meio barroco, meio rococó, meio neoclássico; com pintura nas paredes sobre os episódios da vida deste santo.


Ouvi sempre as histórias do Santo Patriarca e, não raro, a expressão Ora et Labora. Às vezes, ouvi algum padre ou leigo repetir a expressão de São Gregório Magno: “Homem de Deus que foi Bento pelo nome e bento pela vida”. No meio popular, me familiarizei com orações do tipo: “São Bento, na água benta, Jesus Cristo no altar, arreda bicho arreda cobra, deixa o filho de Deus passar”. Dos mais velhos, gostava de constatar o respeito com que se referiam ao Padroeiro, nunca excluído do vocativo o título de Senhor antes de pronunciar o seu nome: Senhor São Bento.


Somente duas vezes ouvi jocosas interjeições sobre o seu patrocínio paroquial. Um velho fiel, preocupado com as dificuldades financeiras da paróquia, saiu com esta: “os antigos deste lugar não pensaram bem quando escolheram São Bento para Padroeiro; sua festa rende muito pouco; deveriam ter escolhido São Sebastião, ou Nossa Senhora Aparecida”. E outro já havia dito: “nosso Padroeiro é o Senhor São Bento, mas quem tira as goteiras da igreja é São Sebastião, com seu leilão de gado”. Certamente, também Deus, no céu, com esses santos queridos, em alguma reunião da tarde, riem desses inocentes comentários.


No Dia do Pai São Bento, encontrei-me muito alegre, pois, depois dos anos de pandemia, pudemos celebrar tranquilos a festa esperada do nosso estimado Mosteiro de Santa Cruz, como esperada deve ter sido em todos os outros mosteiros beneditinos. Podemos repetir com o salmo 113: Como é bom, como é suave, os irmãos se encontrarem. Esta é a alegria registada no Evangelho de Mateus no dia da festa litúrgica do pai de todos os monges. É a alegria dos que deixam tudo para seguir a Nosso Senhor, como afirmou o próprio Jesus: recebereis cem vezes mais já aqui na terra, e como herança a vida eterna (Mt 19, 29).


Através deste mosteiro, a experiência de Bento de Núrcia, que nos idos do século 5 e 6, tão forte e eloquente no eremitério de Subiaco e nos mosteiros da região, e sobretudo do Monte Cassino, seguida por milhares de homens e mulheres na história, chega até nós. É a garantia da promessa registrada no Livro dos Provérbios: Se aceitares a minhas palavras […] conhecereis a Deus […] porque a sabedoria entrará em teu coração e o conhecimento será o teu prazer (cf. Pr 1.10-11). Lá, experimentamos a beleza da unidade: ninguém se julga melhor do que ninguém, convivendo uns com os outros suportando os defeitos e as diferenças com o amor que vem do alto, como regista a Carta aos Efésios.


Os princípios da Regra de São Bento são reflexos dessas verdades eternas. Obedecer, não murmurar, acolher bem, buscar a paz, apartar-se do mal, alimentar o senso do perdão, buscar a Deus sobretudo na oração, meditar sobre a santa morte todos os dias, a humildade e, sobretudo, nada antepor a Cristo. Tudo isso é fonte e caminho de santidade e da perpétua alegria de quem encontrou a Verdade.


Viva nosso Pai São Bento!


Dom Gil Antônio Moreira Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

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