'Preservar fidelidade e serviço'
- Silvia Carvalho
- há 1 hora
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Por Rádio Catedral, com Vatican News

"Fidelidade às tradições" e "a alegria de compartilhá-las" com outras Igrejas e expressões religiosas, "para um testemunho que torna o mundo melhor, mais sereno, mais aberto à esperança, mais capaz de crescer." Foi isso que o cardeal Claudio Gugerotti, prefeito do Dicastério para as Igrejas Orientais, pediu ao patriarca de Bagdá dos Caldeus, Polis III Nona, durante a cerimônia de entronização que ocorreu na manhã desta sexta-feira, 29 de maio, na Catedral Caldeia de São José, em Bagdá, no Iraque.
O purpurado definiu o dia de "histórico", transmitindo os votos de felicidades e a solidariedade de Leão XIV em seu compromisso de "viver em plena comunhão e apoio fraterno para o bem de todos".
Uma história surpreendente
Em seguida, o prefeito do Dicastério para as Igrejas Orientais traçou a história da Igreja caldeia, "rica de mistério" e "surpreendente em muitos aspectos", formada por apóstolos e seus primeiros sucessores, com raízes diretas na terra de Jesus.
O cardeal Gugerotti também recordou o desenvolvimento filosófico e teológico de "altíssimo nível" elaborado em mosteiros e universidades, e "o trabalho dos tradutores de antigos escritos da cultura grega", uma autêntica "ponte para o mundo europeu". Outros elementos constitutivos destacados pelo purpurado foram o martírio, "coerente e fiel até tempos recentes", e a presença cada vez mais disseminada em diversas terras ao redor do mundo devido à instabilidade do "querido e ferido Oriente Médio", onde a Igreja caldeia é uma presença "acolhida, estimada e admirada" por sua capacidade de adaptação, mas "profundamente ligada" à sua própria história.
Abraço espiritual diário
Uma "enorme herança" preservada "em vasos de barro", resumiu o cardeal prefeito, referindo-se ao delicado contexto da missão do novo patriarca. "Cuide bem destes fiéis, Beatitude", exortou; eles "são sua família", a serem acolhidos "no abraço espiritual" da oração, do cuidado e da solidariedade diária. Buscando “um pai, um mestre”, mas sobretudo um exemplo de santidade, não só eles, mas toda a Igreja olham para o novo patriarca como uma “oportunidade extraordinária para uma nova primavera”.
O que Polis III Nona tem diante de si, segundo o prefeito do Dicastério para as Igrejas Orientais, é “um desafio espiritual e ascético”, que abrange liturgia, catequese, “testemunho de caridade”, “solidariedade participativa com os pobres”, “formação cultural e espiritual do clero”, bem como “presença constante”, dando “prioridade absoluta à pregação do Evangelho sobre outros interesses humanos, embora legítimos, mas perigosos se colocados em primeiro lugar”.
Fé antiga para novos caminhos
Esforços e preocupações são necessários para que “uma nova vida possa florescer”, dando “conforto aos corações atordoados” e “coragem para trilhar novos caminhos, incorporando a riqueza da tradição às necessidades e desafios diários da vida moderna”, enfatizou ele. Mais uma vez, expressou a esperança de que a voz da Igreja caldeia não seja "diminuída por circunstâncias históricas ou políticas" e que "esta terra sagrada possa ser, ainda mais do que no passado, um lugar de peregrinação não apenas a lugares de fé antiga, mas a comunidades que suscitam inspiração e admiração por sua fidelidade a Cristo".
Para inspirar outros povos
Estas não são, esclareceu o cardeal, "palavras de conveniência": o serviço do clero e dos religiosos e religiosas "é a tarefa do jardineiro que cuida do seu jardim sem cálculo, sem ambição, sem falsidade, mas com total transparência de costumes e meios, inclusive financeiros", reiterou. Por fim, assegurou a presença e a disponibilidade da Santa Sé "para colaborar em tudo o que for útil para fortalecer o que ajuda esta Igreja a cumprir novamente a sua missão, que não se limita a um território restrito, mas que, também por causa da atual diáspora, continua a se espalhar e a ser um núcleo de inspiração" para muitos povos.






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