Pesquisadores da UFJF publicam nota técnica para orientar reconstrução de Juiz de Fora após tragédia das chuvas
Por Rádio Catedral

A reconstrução de Juiz de Fora após a maior tragédia ambiental da história do município precisa levar em conta uma nova realidade climática. Esse é o alerta de uma nota técnica publicada por pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora, com orientações para que obras de infraestrutura e drenagem sejam planejadas considerando eventos extremos de chuva cada vez mais frequentes.
O documento foi elaborado pelo professor Celso Bandeira de Melo Ribeiro, em parceria com os pesquisadores Sumáya Karla Faria Neves, Eduarda Trindade Filgueiras e João Pedro Tanaka da Silva, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil e do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFJF.
A nota técnica toma como referência o desastre de fevereiro deste ano, quando Juiz de Fora registrou 66 mortes, mais de 8.500 pessoas desabrigadas ou desalojadas e cerca de duas mil moradias destruídas. Segundo os pesquisadores, a tragédia foi resultado da combinação entre chuvas excepcionais, ocupação de áreas de risco, vulnerabilidade social e solo já saturado pelas precipitações acumuladas nos dias anteriores.
O estudo destaca que fevereiro de 2026 foi o mês mais chuvoso da história de Juiz de Fora, com aproximadamente 764 milímetros de chuva, mais de cinco vezes acima da média histórica. Apenas no dia 23 de fevereiro foram registrados 191 milímetros em 24 horas, um evento considerado de magnitude extremamente rara.
Diante desse cenário, os especialistas afirmam que os critérios atualmente utilizados para projetar obras de drenagem, pontes, galerias pluviais e outras estruturas precisam ser atualizados. Entre as recomendações está o uso das maiores séries históricas de chuva e vazão disponíveis, a adoção do evento extremo de fevereiro de 2026 como referência mínima para novos projetos e a incorporação das projeções das mudanças climáticas nos cálculos de engenharia.
Outra orientação é que os projetos considerem o zoneamento urbano previsto no Plano Diretor do município e revisem os parâmetros utilizados para o dimensionamento das obras, já que eventos extremos tendem a ocorrer com maior frequência devido ao aquecimento global.
Os pesquisadores ressaltam que ignorar os efeitos das mudanças climáticas pode resultar em obras subdimensionadas, incapazes de suportar as chuvas intensas previstas para os próximos anos.
Além dos impactos humanos, a nota lembra que as inundações representam a principal causa de prejuízos econômicos na bacia do Rio Paraíba do Sul. Entre 1995 e 2025, as perdas ultrapassaram R$ 2,65 bilhões, afetando infraestrutura, atividades econômicas e serviços públicos.






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