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Papa Leão XIV visita Abadia de Montecassino como peregrino da paz

Foto do escritor: Radio Catedral
Radio Catedral
21 de jul.
4 min de leitura

Por Antonella Palermo – Vatican News


A oração diante do túmulo de São Bento   Foto: @Vatican Media
A oração diante do túmulo de São Bento Foto: @Vatican Media

Em São Bento, a invocação do Papa pela paz no mundo. É o gesto de Leão XIV feito durante uma visita privada à comunidade monástica e à Abadia de Montecassino, na província de Frosinone, na manhã desta segunda-feira (20). Lá, contemplando a beleza de uma natureza extraordinária, a mais de 500 metros de altitude, o Pontífice fez uma pausa em oração junto ao túmulo do co-padroeiro da Europa. Ao fundador da Ordem dos Beneditinos, o Papa confiou, conforme divulgado pela Sala de Imprensa da Santa Sé, “a súplica pela paz nas regiões do mundo marcadas pelo sangue e pelo conflito”.


Leão retorna ao local que visitou quando estudante

“Foi um presente absolutamente inesperado", comenta o abade, Pe. Luca Fallica, aos meios de comunicação do Vaticano logo após o evento, "pois a visita era estritamente privada e, portanto, nos foi pedido o máximo de discrição. De fato, ela só nos foi confirmada no dia anterior, pelo que pude avisar a comunidade apenas algumas horas antes da chegada do Santo Padre. Assim, tudo se desenrolou com grande simplicidade e familiaridade”. No maior mosteiro do mundo em tamanho e o segundo mais antigo da Itália, depois do de Santa Escolástica e de Subiaco, o Papa, segundo relata o padre abade, também teve a oportunidade de cumprimentar, nessa ocasião especial, hóspedes e turistas. Leão rezou junto com a comunidade de monges, visitou o Arquivo e a Biblioteca, e almoçou com a comunidade antes de partir para Castel Gandolfo. “Acredito que o Papa tenha ficado contente por poder visitar este lugar onde esteve sozinho há muitos anos, quando, segundo me contou, ainda era estudante em Roma”, disse Pe. Luca.

Foto: @Vatican Media
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No local onde Paulo VI proclamou São Bento “Pacis Nuntius”


Hoje, mais do que nunca, ressoa aquele versículo do Salmo 33 (34) “Procura a paz e vai ao seu encalço”, citado por São Bento — cuja memória litúrgica foi celebrada em 11 de julho — no Prólogo da sua Regra. Essa confiança do Papa a São Bento, esclarece o abade, ocorreu no mesmo local onde, em 1964, São Paulo VI havia rezado quando se deslocou até lá para reconsagrar a catedral após a destruição causada pela guerra. Foi nessa ocasião que Montini proclamou São Bento patrono principal da Europa, definindo-o como “Pacis Nuntius”, ou seja, testemunha e anunciador da paz. “Assim como Paulo VI naquela época, e como fizeram também os pontífices subsequentes, tanto João Paulo II quanto Bento XVI, o Papa Leão também subiu a Montecassino como peregrino da paz”. E pôde ainda acender a lâmpada que o próprio Paulo VI havia trazido em 1964, a lâmpada da paz.


Rezar pela paz e tornar-se testemunha


O compromisso de rezar pela paz é diário para esses monges, por meio da intercessão do seu fundador. Ainda mais neste momento, no início do triênio de preparação para o ano jubilar de 2029, quando serão comemorados os 1.500 anos do nascimento, segundo a tradição, de Montecassino. Como lembra Pe. Fallica, de fato, São Bento chegou aqui vindo de Subiaco em 529, e o aniversário já está marcado, desde agora, por reflexões sobre o tema da paz, precisamente, ao qual se seguirão os temas da luz e da esperança. “No grande portão de entrada da nossa Abadia há justamente a grande inscrição PAX, e eu sempre digo que essa inscrição, por um lado, acolhe a paz naqueles que sobem a Montecassino, mas também se torna uma mensagem que transmitimos a todos aqueles que vêm aqui e depois partem. Não se trata apenas de receber a mensagem da paz, mas de nos tornarmos testemunhas dela, anunciadores ali onde vivemos”. E há exatamente dez dias, quem foi aqui agraciado com o Prêmio Pacis Nuntius, instituído em vista do jubileu, foi o cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca de Jerusalém dos Latinos.


A memória das feridas da II Guerra Mundial

Rezar pela paz em um lugar como este significa relembrar as feridas causadas pelos bombardeios da Segunda Guerra Mundial. Em suma, para Montecassino, é uma vocação peculiar ser um sinal de paz justamente por causa da história que viveu: foram os homens da paz que reconstruíram estas muralhas, como disse aqui o Papa Montini. “ Conhecendo os horrores da guerra, compreendemos com ainda maior compaixão e misericórdia — insiste o padre abade da comunidade — o sofrimento de todos aqueles que vivem hoje sob a ameaça, no aperto da guerra e dos conflitos. E, portanto, com ainda mais razão, há não apenas nossa oração, mas justamente o compromisso com a paz que procuramos viver, antes de tudo, em comunidade, para irradiá-la por meio de nosso testemunho e de nossa oração” .


A presença do Papa, dom e compromisso pela humanidade

“Sentimo-nos confirmados e encorajados tanto em nosso compromisso monástico quanto em nosso compromisso eclesial mais amplo”, conclui Fallica. O dom de algumas horas compartilhadas com o Sucessor de Pedro traduz-se agora em uma missão “que possa dar frutos para o bem da Igreja e para o bem de toda a humanidade”.


Foto: @Vatican Media
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