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Papa Leão XIV: 'Deus não abençoa conflitos e seus discípulos não apoiam quem lança bombas'

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    Radio Catedral
  • há 2 horas
  • 4 min de leitura

Por Andressa Collet, do Vatican News


Os bispos caldeus estão em Roma reunidos em Sínodo para eleger o novo Patriarca   (@Vatican Media)
Os bispos caldeus estão em Roma reunidos em Sínodo para eleger o novo Patriarca (@Vatican Media)

O Papa Leão XIV recebeu nesta sexta-feira (10) um grupo de bispos reunidos em Roma para o Sínodo da Igreja Caldeia com sede em Bagdá, no Iraque, que irá eleger o novo Patriarca. O Pontífice tinha aceitado o pedido de renúncia apresentado pelo cardeal Louis Raphaël Sako há exatamente um mês, em 10 de março, após ter completado 75 anos e ter permanecido por mais dois anos, encorajado pelo Papa Francisco. Foram 13 anos de serviço em Bagdá e de "notáveis esforços" empreendidos, reconheceu com gratidão Leão XIV.


Em discurso, o Pontífice também abordou "a grande missão" do Sínodo e da eleição do novo Patriarca para fins "de anunciar Cristo Ressuscitado também em contextos de morte", mantendo acesa a esperança sem desanimar. Através do Dicastério para as Igrejas Orientais, Leão XIV acompanha os trabalhos dos caldeus e inclusive este "momento de precioso discernimento eclesial" da Igreja, que une espiritualmente com a oração os sacerdotes, religiosos, seminaristas e fiéis tanto do próprio território "quanto da numerosa diáspora espalhada pelo mundo". Uma Igreja de "tradição antiquíssima e fecunda que, intimamente ligada aos lugares de origem da salvação, soube levar o Evangelho além das fronteiras do Império Romano, desenvolvendo um cristianismo rico em fé, de cultura e de espírito missionário, até a Índia e a China". Uma história "gloriosa", enalteceu ainda o Papa, de fé transmitida com coragem e fidelidade inclusive através de provaçoes duríssimas: "guerras, perseguições, tribulações que atingiram as comunidades de vocês e dispersaram muitos fiéis pelo mundo":


"O Sínodo de vocês representa um tempo de graça e de grande responsabilidade. Vocês são chamados a eleger o Patriarca em uma fase delicada e complexa, por vezes até controversa. Convido-os a deixar-se guiar pelo Espírito Santo, encontrando n’Ele a concórdia e buscando não o que parece mais útil aos olhos do mundo, mas o que é mais conforme ao coração de Cristo."



Como deve ser o novo Patriarca

Que o novo Patriarca seja, antes de tudo, continuou o Papa, "um pai na fé e um sinal de comunhão com todos e entre todos", na "paciente busca pela unidade" e mesmo que às vezes contra a corrente, porque "o amor é a única força que vence o mal e derrota a morte". E Leão XIV acrescentou que a "Sua Beatitude seja um homem das Bem-aventuranças: não chamado a gestos extraordinários e a suscitar clamor, mas a uma santidade cotidiana, feita de honestidade, misericórdia e pureza de coração. Que seja um Pastor capaz de ouvir e acompanhar, pois a autoridade na Igreja é sempre serviço e jamais hegemonia":


"Que o Patriarca seja um guia autêntico e próximo do povo, e não uma figura ostensiva e distante. Que seja um homem enraizado na oração, capaz de carregar o peso das dificuldades com realismo e esperança, mestre da pastoral que identifique caminhos concretos para o bem do povo de Deus, juntamente com os irmãos bispos, naquele espírito de concórdia que deve caracterizar uma Igreja patriarcal, cuja autoridade é representada pelo Sínodo dos Bispos presidido pelo Patriarca, promotor da unidade na caridade, em plena coesão com o Sucessor do Apóstolo Pedro."


O momento, então, reforçou Leão XIV, é de "responsabilidade", vivido pel próprio Pontífice junto à Igreja Caldeia e a todos os cristãos, inclusive de outras confissões, já que os leva no coração e reza por todos. A eleição do novo Patriarca também é um período de "renovação espiritual" que exige observar os mais diferentes âmbitos. Daí as recomendações do Pontífice para a transparência "na administração dos bens", para o uso moderado dos meios de comunicação, para a prudência nas declarações públicas, para valorizar a formação dos presbíteros e ajudar, "sobretudo com o exemplo, as pessoas consagradas a guardar os dons inefáveis da obediência e da castidade". Leão XIV também recomendou acompanhar os fiéis leigos, "prestando-lhes assistência pastoral, para que se sintam encorajados, apesar de todas as provações, a permanecer firmes na fé e em seus territórios":


“Que os cristãos em todo o Oriente Médio sejam respeitados, não apenas nas palavras: que desfrutem de verdadeira liberdade religiosa e de plena cidadania, sem serem tratados como hóspedes ou cidadãos de segunda classe!”

Em busca de tempos de paz em nome de Jesus

Ao final do discurso, Leão XIV encorajou a ser sinal de esperança "num mundo marcado por violências absurdas e desumanas". A ganância e o ódio têm se espalhado "com ferocidade justamente nas terras que viram nascer a salvação, nos lugares sagrados do Oriente cristão", mas o Pontífice renovou a não se cansar em ser agente de paz:


"Nenhum interesse pode valer a vida dos mais fracos, das crianças, das famílias; nenhuma causa pode justificar o sangue inocente derramado. Vocês, chamados a serem incansáveis agentes da paz em nome de Jesus, ajudem-nos a proclamar claramente que Deus não abençoa nenhum conflito; a gritar ao mundo que quem é discípulo de Cristo, príncipe da paz, jamais está ao lado daqueles que ontem empunhavam a espada e hoje lançam bombas; a lembrar que não serão as ações militares a criar espaços de liberdade ou tempos de paz, mas apenas a promoção paciente da convivência e do diálogo entre os povos."



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