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Papa Leão XIV: a fé é chamada a se tornar cultura para alcançar todas as pessoas

Foto do escritor: Silvia Carvalho
Silvia Carvalho
há 2 horas
2 min de leitura

Por Bianca Fraccalvieri - Vatican News




A cultura e as suas relações com a fé cristã foram o tema da catequese do Santo Padre na Audiência Geral desta quarta-feira, 28 de outubro.


Leão XIV se ateve ao segundo capítulo da segunda parte da Constituição Gaudium et spes (GS), que descreve como a Igreja Católica foi determinante para o desenvolvimento da civilização ocidental não só por meio da criação de escolas e universidades, mas também na promoção da arte.


A relação entre fé e cultura, explicou Leão XIV, encontra o seu fundamento principal na Encarnação: se o Verbo divino se fez carne e veio habitar entre nós, então a fé é também uma realidade encarnada, entrelaçada com a cultura em que está imersa. Deste modo, a fé torna-se cultura através das tradições e das manifestações artísticas.


“A fé pode encarnar-se em qualquer cultura, porque não se identifica com nenhuma delas de forma específica. Ela habita-as, moldando-as a partir de dentro segundo a «forma» de Jesus Cristo, ou seja, com a caridade, o serviço e o reconhecimento filial da paternidade de Deus.”


Garantir acesso à cultura


Assim, acrescentou o Pontífice, a Igreja capta nas diversas culturas o que há de bom, de belo e de verdadeiro, para encarnar e transmitir a mensagem do Evangelho. Ela é capaz de entrar em comunicação com as diversas formas de cultura porque não está exclusiva e indissoluvelmente ligada a nenhuma raça ou nação, a nenhuma tradição antiga ou moderna.


A cultura é um bem em si mesma, através da qual o ser humano pode realizar a sua vocação na terra. "Por esta razão, a Gaudium et spes exorta a comunidade internacional a garantir que todos possam ter acesso aos bens culturais fundamentais, superando o analfabetismo e a falta de instrução", disse ainda o Santo Padre, ressaltando que o Concílio já afirmava a importância da participação das mulheres na vida cultural.


A Gaudium et spes defende, assim, a necessidade para os cristãos de cultivar uma unidade fecunda do saber:"Embora tenham recebido da Revelação as respostas às grandes questões da existência, isso não os dispensa de uma formação intelectual e cultural paciente; pelo contrário, os seus conhecimentos humanos e científicos devem avançar a par dos conteúdos da sua fé", defendeu o Papa.


Por fim, o documento conciliar recomenda que não se viva a fé num espírito de oposição ou de hostilidade em relação ao mundo, à cultura e às suas expressões humanas. "Alcançar uma síntese madura e responsável entre fé e cultura é, com efeito, uma condição necessária para a perseverança na vocação cristã, mas também um requisito indispensável para testemunhar a fé ao mundo e comunicá-la aos outros de forma crível", concluiu o Santo Padre.

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