Padre Júlio Lancellotti reforça mensagem de acolhimento e direitos humanos durante visita e homenagem na UFJF
- Radio Catedral

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Por Rádio Catedral

A defesa da dignidade humana e a mensagem de acolhimento marcaram a passagem do padre Júlio Lancellotti por Juiz de Fora. Na noite de ontem (10), o sacerdote recebeu o título de Professor Honoris Causa da Universidade Federal de Juiz de Fora, maior honraria concedida pela instituição, em reconhecimento à sua trajetória dedicada às pessoas em situação de vulnerabilidade.
Antes da cerimônia realizada no Cine-Theatro Central, padre Júlio visitou as instalações da UFJF e participou de atividades na universidade. A homenagem, proposta pela Faculdade de Serviço Social e aprovada por unanimidade pelo Conselho Superior, se soma a outros reconhecimentos recebidos pelo religioso ao longo da carreira.
Em entrevista à Rádio Catedral, ele afirmou que recebeu a honraria com gratidão e classificou a iniciativa como um ato de coragem da universidade, por reconhecer o trabalho desenvolvido junto àqueles que muitas vezes não têm espaço nem mesmo nos estudos acadêmicos.
Durante a entrevista, o sacerdote destacou que quem se coloca ao lado dos rejeitados também acaba enfrentando rejeição e afirmou que os desafios atuais passam pelo combate à aporofobia, termo utilizado para definir a rejeição aos pobres e às pessoas em situação de vulnerabilidade. Padre Júlio ressaltou ainda que a sociedade não pode produzir exclusão e, ao mesmo tempo, se recusar a conviver com aqueles que são descartados.
Ao comentar sobre políticas públicas e direitos humanos, padre Júlio Lancellotti defende que a garantia da dignidade humana deve ser tratada como uma política de Estado, independentemente dos governos. Segundo ele, direitos fundamentais, o combate à tortura, à discriminação e à desigualdade extrema não podem estar sujeitos a mudanças partidárias, mas precisam ser assegurados permanentemente pela Constituição e pelos princípios democráticos.
O religioso também falou sobre os desafios de se posicionar em uma sociedade marcada pela polarização. Para ele, nenhuma palavra é neutra e sempre estará sujeita a diferentes interpretações. Apesar disso, afirmou que o anúncio do Evangelho exige coragem e que silenciar diante das injustiças não é uma opção.
Em mensagem de fé e acolhimento, o sacerdote desejou que todos se sintam amados e abençoados por Deus, lembrando que os ministros religiosos são apenas canais do amor divino. Padre Júlio também reforçou a mensagem deixada pelos papas Francisco e Leão XIV, destacando que ninguém está excluído e que a Igreja é um espaço aberto para todos, sem distinção.






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