Inspirado nos discípulos de Emaús, parte do clero da Arquidiocese de Juiz de Fora realiza retiro anual
Por Rádio Catedral com informações da Arquidiocese de Juiz de Fora

Até esta sexta (6), a primeira turma do clero da Arquidiocese de Juiz de Fora participa do retiro anual, realizado no Centro de Formação de Liderança Cristã (Ceflã). O encontro, realizado tradicionalmente todos os anos, é um tempo de recolhimento, oração, silêncio e reflexão, voltado ao fortalecimento espiritual dos presbíteros.
Devido ao grande número de padres, o retiro é organizado em duas etapas, sendo a segunda realizada no mês de julho. Nesta primeira turma, cerca de 45 padres participam da experiência, que neste ano é conduzida por Dom Júlio Endi Akamine, Arcebispo de Belém, no Pará (PA). Segundo o Administrador Apostólico de Juiz de Fora, Dom Gil Antônio Moreira, a escolha do pregador se deu por sua reconhecida espiritualidade e capacidade de conduzir os presbíteros a uma vivência profunda da fé, favorecendo a renovação interior dos sacerdotes.
“O retiro do clero não é só do clero, é de toda a Igreja. Os padres estão o ano inteiro servindo nas paróquias, na pastoral, na liturgia e na administração. Quando vêm para o retiro, vêm para fazer uma experiência íntima e profunda com Jesus. É um momento de abastecimento espiritual, para que depois voltem alimentados para exercer o seu ministério”, destacou.
Conduzindo o retiro, Dom Júlio explicou que o itinerário espiritual proposto parte do episódio dos discípulos de Emaús, após a ressurreição de Jesus. A partir deste relato bíblico, o pregador percorre diversos textos do Antigo Testamento, como as narrativas de Abraão, Jó, Jonas, Jeremias, o livro de Eclesiastes, os Salmos e o Cântico dos Cânticos.
“O objetivo não é transmitir novidades teológicas, mas permitir que esses textos tão conhecidos aqueçam novamente o coração. Assim como os discípulos disseram: ‘Não ardia o nosso coração quando Ele nos explicava as Escrituras?’, o retiro busca justamente reacender essa experiência interior”, explicou Dom Júlio.
Para o Arcebispo, o retiro é marcado por dois pilares fundamentais: silêncio e oração. “Antes de falar aos outros, precisamos aprender a ouvir. O silêncio interior e exterior nos coloca diante de Deus, num espaço habitado pela oração, onde somos chamados a escutar aquilo que o Senhor deseja nos dizer”, concluiu Dom Júlio.
Entre os participantes, o sentimento é de gratidão e profundidade espiritual. Para o Pe. Paulo César Rodrigues Junior, Administrador Paroquial da Paróquia Santíssima Trindade em Descoberto (MG), o retiro é um tempo essencial de encontro com Deus e com os irmãos. “São dias de aprofundamento espiritual e também de convivência fraterna, algo muito necessário para nós. O tema do retiro, inspirado no caminho dos discípulos de Emaús, nos ajuda a pedir ao Senhor que permaneça conosco em meio aos desafios da vida sacerdotal”, afirmou.
Segundo o sacerdote, “o retiro reforça a certeza de que a vocação é uma resposta diária, marcada pela fidelidade, pela oração e pelo encontro constante com Deus, especialmente diante das dificuldades do ministério”.
Já o Pe. Welington Nascimento, Pároco da Paróquia Divino Espírito Santo, em Juiz de Fora, destacou o caráter de silêncio e discernimento vivido neste período, especialmente em um momento de transições na Arquidiocese. “O retiro é um tempo propício para nos prepararmos para a Quaresma e a Páscoa, mas também para compreender as mudanças e novidades que estamos vivendo na nossa Igreja. Rezamos não apenas por nós, mas por todo o povo de Deus que caminha conosco nas paróquias”, disse.
Para Dom Gil, o retiro toca o núcleo da identidade sacerdotal. “O padre não vale apenas por aquilo que ele faz, ele vale muito mais por aquilo que ele é. E para ser, ele precisa ter uma intimidade muito grande e profunda com Jesus. É isso que acontece no retiro”, afirmou, ressaltando que a eficácia do ministério nasce a partir da vida interior e da relação pessoal com Deus.






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