Dois meses após a tragédia das chuvas, autoridades apresentam balanço das ações em Juiz de Fora

Por Rádio Catedral

Dois meses após as chuvas do dia 23 de fevereiro que assolaram Juiz de Fora, causando 66 mortes e deixando mais de 8 mil pessoas desabrigadas, representantes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Ministério Público apresentaram, na manhã desta quinta-feira, dia 23, um balanço dos trabalhos realizados neste período.
De acordo com o coordenador da Defesa Civil em Juiz de Fora, Fernando Martins, foram mais de 8 mil vistorias realizadas nestes 60 dias.
Segundo Fernando Martins, o atendimento às famílias atingidas envolve ações conjuntas com a assistência social, incluindo acolhimento em hotéis para desabrigados e avanço em projetos habitacionais pelo programa Compra Assistida.
A Defesa Civil orienta que moradores não retornem a imóveis interditados, devido ao risco remanescente, reforçando que as áreas devem permanecer desocupadas para garantir a segurança das famílias.
Já a obra na Estrada Engenheiro Gentil Forn terá investimento estimado em cerca de R$ 90 milhões, com recursos já parcialmente garantidos pela Defesa Civil Nacional e complementação prevista junto ao Ministério das Cidades, conforme reitera Fernando Martins.
Já o Morro do Cristo passa por estudos técnicos, com laudo previsto para os próximos dias, que vai orientar obras de mitigação de risco e possibilitar, gradualmente, o retorno seguro das famílias às suas casas, conforme explica o Coordenador da Defesa Civil.
A Cemig também manteve atuação intensa no município. Segundo a companhia, mais de 230 profissionais atuaram em campo, entre engenheiros, técnicos e eletricistas, trabalhando de forma ininterrupta para restabelecer o fornecimento de energia nas áreas atingidas.
Além da suspensão do corte de energia durante o período crítico, a companhia realizou cerca de 1.800 serviços, incluindo recomposição de rede, realocação de postes, poda de árvores e reparos após curtos em tubulações.
Outro importante reforço veio das Forças Armadas do Brasil, que seguem atuando desde o início da emergência em Juiz de Fora e cidades da região. O apoio inclui logística, uso de viaturas especializadas, equipes de engenharia vindas de outras cidades e ações diretas como desobstrução de vias, remoção de resíduos e abastecimento com caminhões-pipa. O Exército também colaborou com a Defesa Civil no deslocamento de equipes e permanece à disposição para novas demandas.
Na área da educação, a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais informou que 18 escolas estaduais foram atingidas, somando 23 ocorrências. As unidades já começaram a receber recursos para reparos e iniciaram a contratação de empresas para recuperação dos danos. Apesar dos impactos, segundo o Governo estadual, todos os alunos seguem com aulas, em formatos adaptados à situação.
Já a Polícia Civil de Minas Gerais atuou em três frentes principais desde o início da tragédia: a perícia técnico-científica, com identificação e liberação de vítimas; o uso de drones para mapeamento de áreas de risco; e o trabalho em campo, com busca por desaparecidos e apoio na evacuação de áreas ameaçadas. A instituição segue atuando também na investigação de possíveis crimes relacionados aos eventos.
Já a Polícia Militar de Minas Gerais aponta redução de 23% nos furtos em Juiz de Fora nos últimos dois meses, ao mesmo tempo em que intensifica ações de policiamento e diálogo com a população para reforçar a sensação de segurança, conforme explica o Coronel Lúcio Ferreira da Silva Neto.
Já o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais destaca que, desde o desastre de fevereiro, mais de 90% das cerca de 8 mil vistorias em áreas de risco já foram realizadas, com expectativa de conclusão das análises restantes nos próximos dias, conforme reitera o Tenente Coronel Fabrício Araújo.
Segundo o promotor de justiça Ministério Público de Minas Gerais, Alex Fernandes Santiago, a solução habitacional para as famílias atingidas ainda está em construção, mas aponta avanço no programa de compra assistida, com previsão de até R$ 200 mil por família, mediante critérios e comprovação dos requisitos.
Por fim, Ministério Público de Minas Gerais avalia que a solução para as famílias atingidas depende de um conjunto de ações integradas, como o avanço da compra assistida. O órgão também articula parcerias para doações e já destinou recursos para apoiar a recuperação de pequenos empreendedores afetados.






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