Câmara de Juiz de Fora debate situação de escolas interditadas e retomada da oncologia pediátrica
Por Rádio Catedral

A Câmara Municipal de Juiz de Fora realizou, nesta segunda-feira (26) e terça-feira (27), duas audiências públicas para discutir questões importantes nas áreas de educação e saúde.
Os encontros reuniram representantes da Prefeitura, profissionais, vereadores e familiares para tratar da situação de escolas interditadas após as chuvas de fevereiro e da retomada do atendimento oncológico pediátrico pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Na segunda-feira, a Comissão de Urbanismo discutiu o futuro de cinco escolas municipais e do Colégio de Aplicação João XXIII, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Os prédios estão interditados desde as chuvas de fevereiro, e os estudantes foram transferidos para unidades provisórias.
Durante a audiência, o assessor da Defesa Civil, Joviano Assis, apresentou avaliações sobre as condições dos imóveis e dos terrenos. As escolas Clotilde Peixoto Hargreaves e Murilo Mendes continuam sob risco de novos deslizamentos e precisam de intervenções estruturais.
Já a Escola Municipal Adenilde Petrina Bispo apresenta rachaduras no piso e sinais de movimentação de terra. A Escola Municipal Antônio Faustino da Silva está localizada em uma área cujo entorno possui diversos pontos de instabilidade.
A secretária de Obras, Bruna Ferreira, informou que a Prefeitura estuda intervenções para viabilizar a reconstrução ou recuperação das unidades. Para as escolas Adenilde Petrina e Clotilde Peixoto, já existem projetos de demolição e construção de novos prédios, seguindo padrões do Ministério da Educação.
No caso da Escola Murilo Mendes, a proposta é construir um muro de contenção e reformar o imóvel. A Escola Santa Catarina Labouré deverá funcionar em prédio próprio, em terreno ainda em avaliação. O Colégio João XXIII terá um novo edifício no campus da UFJF, com construção prevista pelo Governo Federal.
Familiares cobraram prazos mais claros e informações sobre os recursos destinados às obras. O presidente da Comissão de Urbanismo, vereador Tiago Bonecão, questionou a situação dos R$ 60 milhões que teriam sido anunciados para a construção de novas escolas e pediu esclarecimentos sobre a segurança dos terrenos.
Na terça-feira, a pauta foi a retomada do atendimento oncológico pediátrico pelo SUS em Juiz de Fora, interrompido em julho de 2024. A ausência do serviço obriga crianças e adolescentes com câncer a buscar tratamento em outros municípios, aumentando os deslocamentos e os custos enfrentados pelas famílias.
Familiares relataram dificuldades para conseguir assistência especializada, inclusive com a necessidade de recorrer à Justiça. Profissionais de saúde e representantes de instituições destacaram a importância de restabelecer o atendimento na cidade, tanto para o diagnóstico e o tratamento quanto para o acompanhamento de pacientes que já superaram a doença.
Durante a audiência, o diretor do Hospital 9 de Julho e do Instituto Oncológico do Brasil, Oleg Abramov, afirmou que a estrutura e os equipamentos da unidade de terapia intensiva estão preparados. No entanto, a abertura dos dez leitos previstos depende de recursos para contratação e manutenção das equipes.
O secretário municipal de Saúde, Jonathan Ferreira Tomaz, declarou que a Prefeitura mantém diálogo com as instituições envolvidas e busca encaminhamentos junto à Secretaria de Estado de Saúde para viabilizar a retomada do serviço. Ele também afirmou que o Município dará apoio à reativação do ambulatório de oncologia pediátrica.
As duas audiências evidenciaram a cobrança por soluções concretas, prazos e recursos para garantir direitos fundamentais. Na educação, as famílias aguardam condições seguras para o retorno dos estudantes às escolas. Na saúde, a expectativa é restabelecer o atendimento especializado em Juiz de Fora e reduzir a necessidade de deslocamento de crianças e adolescentes para outros municípios.






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