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  • Foto do escritorRadio Catedral

A Páscoa da Ressurreição, nossa esperança


*Foto: Arquidiocese JF.

A nossa Páscoa é Jesus Cristo. A Páscoa cristã se baseia na páscoa dos hebreus presente no Antigo Testamento. Nesta, observamos a prefiguração da realidade futura que é a imolação de Cristo na cruz. O sangue de um animal irracional não seria suficiente para eliminar o pecado. Somente Cristo, Filho de Deus que se fez homem, vai ser capaz de, pelo seu sangue derramado, eliminar a força do pecado e da morte e libertar a pessoa humana, abrindo para ela, novamente, as portas do Paraíso. Ele é o verdadeiro Cordeiro Pascal.


Pelas leituras bíblicas, observa-se que os Apóstolos, mesmo na constatação dos fatos, ainda não entediam bem o que era a ressurreição, ainda que Jesus tivesse se referido a ela em suas pregações, como se pode ver no evangelho de São Lucas: “O Filho do Homem será morto, mas ressuscitará” (cf. Lc 9,22).


Na manhã da ressurreição as mulheres foram ao túmulo e constataram que estava vazio, não percebendo o que havia acontecido. Porém, o próprio Cristo se apresenta vivo a elas, manifestando-se, posteriormente, durante 40 dias, aos Apóstolos e a muitas outras pessoas. Paulo diz aos coríntios que Jesus se apresentou ressuscitado a mais de quinhentas pessoas (cf. I Cor 15, 16).


Os Apóstolos puderam ver, tocar em seu corpo, observar suas chagas, ouvir a sua voz. Um dos elementos caraterísticos das aparições é o aspecto da comensalidade. Em quase todas as manifestações, o Senhor toma refeição com eles, partindo o pão, tomando vinho, comendo peixe. A Igreja vê nestes aspectos a imagem da Eucaristia que ela celebra desde os primeiros dias, como presença viva e contínua do Senhor.


Os Apóstolos poderiam imaginar que a ressurreição fosse apenas uma recordação, a presença da alma de Cristo. Porém, esta explicação não corresponde à realidade, pois a alma não morre. Na verdade, o que eles viram foi o corpo com os sinais da paixão. Um corpo, certamente, diferente daquele anterior, no sentido em que é um corpo glorioso, mas com as mesmas características por eles plenamente reconhecidas. Esse mistério é o fundamento da fé cristã. Trata-se de algo sobrenatural que supera os limites da natureza. São Paulo, escrevendo aos Colossenses, diz: “Se ressuscitastes com Cristo, agora pensai nas coisas do alto, não nas coisas da terra somente” (cf. Cl 3,1). Na verdade, Deus criou o homem e a mulher para serem transformados, para viverem eternamente. O ser humano é um sempre “vir-a-ser”, nos ensina a Filosofia.


O testemunho inequívoco dos Apóstolos e das santas mulheres é a base da fé anunciada e transmitida pela Igreja durante a história. Sem tais testemunhos, a fé cristã seria inútil. O anúncio da ressurreição vem sendo transmitido pela Igreja de geração em geração.


Ainda vivendo as alegrias pascais, que duram 50 dias como se fossem um único domingo, relembremos o Salmo 117: “Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos”. A ressurreição do Senhor é nossa esperança, diz Santo Agostinho. Celebrá-la é reconhecer que Deus não desiste de nós, mas espera-nos um dia, na casa eterna, onde viveremos para sempre com ele e os santos que já gozam da visão beatífica.


Dom Gil Antônio Moreira Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

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