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Papa Leão XIV reza o terço em Montserrat: que o ódio dê lugar à esperança e à paz

  • Foto do escritor: Radio Catedral
    Radio Catedral
  • 10 de jun.
  • 3 min de leitura

Por Thulio Fonseca – Vatican News


Foto: Vatican Media
Foto: Vatican Media

“Peçamos a Maria, Rainha da Paz, que nos ensine a renunciar às palavras ofensivas, aos juízos temerários, à maledicência e às calúnias. E que aprendamos a zelar e a cultivar o amor na família, entre amigos, no local de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos e nas comunidades cristãs, para que o ódio dê lugar à esperança e à paz.”


Foi este o apelo feito pelo Papa Leão XIV na Abadia de Nossa Senhora de Montserrat, um dos lugares de espiritualidade mais emblemáticos da Espanha, onde presidiu a oração do Santo Rosário na manhã desta quarta-feira (10).


Situado entre as montanhas de Montserrat, a cerca de 700 metros de altitude, o santuário beneditino guarda há séculos a venerada imagem da Virgem de Montserrat, conhecida popularmente como “Moreneta”, padroeira da Catalunha. O santuário mariano celebra atualmente o milênio de sua fundação e permanece como um dos mais importantes centros de peregrinação da Europa.


Ao iniciar sua reflexão, Leão XIV manifestou alegria por poder rezar aos pés da Virgem, confiando à sua intercessão materna o ministério petrino e a missão da Igreja em um mundo que continua clamando por justiça e paz. O Papa recordou ainda as inúmeras histórias de fé, esperança e gratidão que marcaram a vida do santuário ao longo dos séculos, bem como o testemunho daqueles que ali derramaram o próprio sangue por amor a Cristo.



O caminho da conversão


Recordando Santo Inácio de Loyola, que em Montserrat viveu uma experiência decisiva de conversão ao depor suas armas diante da Virgem para iniciar uma nova vida a serviço de Deus, o Pontífice convidou os fiéis a acolherem o convite de Maria nas Bodas de Caná: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. Segundo o Papa, essas palavras constituem um verdadeiro programa de vida cristã, pois conduzem ao amor, à escuta da Palavra e à transformação do coração.


Leão XIV destacou que Jesus indica o caminho da misericórdia, da reconciliação, da verdade e da mansidão. Ao mesmo tempo, advertiu para a violência que pode esconder-se em atitudes aparentemente comuns, como a crítica que humilha, a condenação que destrói e a agressividade que divide. Muitas vezes, observou, essas formas de violência surgem revestidas por “armaduras” construídas para proteger feridas, medos ou sofrimentos.


Desarmados pelo amor


Contemplando a imagem da Virgem que apresenta Jesus Menino em seus braços, o Papa convidou os peregrinos a deporem aos pés de Maria tudo aquilo que endurece o coração. Cristo, recordou, não salvou a humanidade pela força das armas, mas pela força “desarmada e desarmante” do amor. Por isso, exortou os fiéis a revestirem-se unicamente das “armas de Deus”, descritas por São Paulo como a verdade, a justiça, a fé e o

Evangelho da paz.


Referindo-se ao globo que a Virgem segura em sua mão direita, símbolo do cuidado materno por toda a humanidade, Leão XIV destacou que Maria convida seus filhos a reconhecerem-se como irmãos e irmãs, para que ninguém seja excluído e para que a comunhão seja mais forte do que qualquer divisão. Por fim, pediu que Maria, Mãe da Igreja, nos conduza sempre para Jesus, e concluiu com uma oração:


"Dos catalães, sereis sempre a Princesa,

dos espanhóis e do mundo todo, o amor;

dizei-nos: “Sois o meu tesouro,

eu sou vossa Mãe, não temais.”

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