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País precisa vacinar 2 milhões por dia para controlar a pandemia em até um ano


Nota técnica publicada pelo Programa de Pós-Graduação em Modelagem Computacional (PGMC-UFJF) simula diferentes cenários considerando a eficiência da vacina e diferentes taxas de vacinação. A pesquisa chegou à conclusão de que vacinar o maior número de pessoas o mais rápido possível é mais importante do que a eficácia da vacina para ter a pandemia de Covid-19 sob controle. Com base em dados do Ministério da Saúde, se a taxa atual de vacinados por dia for mantida, levaria mais de dois anos para obter 70% da população vacinada.

O modelo computacional utilizado é o mesmo que vem sendo aplicado desde o início das pesquisas feitas pelo grupo desde o início da pandemia, com uma mudança: o parâmetro da taxa de vacinação foi adicionado. De acordo com Rodrigo Weber, um dos autores do documento, o modelo é simples e tem apenas três parâmetros: a taxa de vacinação ou imunização (velocidade com que as pessoas são imunizadas pela vacina), a eficiência da vacina (probabilidade de uma vez vacinado estar imunizado) e o tempo entre a vacina e a imunização.

Aumento na taxa de vacinação salvaria 200 mil vidas

De acordo com as simulações realizadas, com uma taxa de vacinação de 100 mil pessoas por dia, a doença não seria totalmente controlada após o intervalo de tempo de 365 dias, independentemente da eficácia da vacina, o número de casos ativos ainda seria alto (85.135 casos ativos). Em contrapartida, vacinando 2 milhões de pessoas por dia, os casos ativos iriam variar, de cerca de 8 mil – com uma vacina 50% eficaz – a 201 – para uma vacina com 90% de eficácia. Segundo a nota, esses resultados indicam que, nesse ritmo, a pandemia estaria controlada, após um ano da vacinação, independentemente da eficácia da vacina.

As simulações indicam que caso se mantenha uma taxa de imunização entre um a dois milhões de pessoas por dia, cerca de 200 mil vidas brasileiras seriam salvas em um ano. De acordo com Weber, esse cenário respeita a capacidade de produção de vacinas do Instituto Butantan e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), além de estar dentro da capacidade de aplicação das vacinas pelo SUS. “Para salvar essas vidas temos que conseguir atingir a meta de vacinação de cerca de 100 milhões de brasileiros até o final do mês de maio, início de junho. Quanto mais postergarmos essa data, mais vidas serão perdidas e menor será o impacto da vacina no número de óbitos ao longo do ano”, afirma.

De acordo com esse gráfico apresentado na nota, é possível verificar que os efeitos da vacinação só são percebidos depois de aproximadamente 80 dias. Com a vacinação de 100 mil pessoas por dia e uma vacina 50% eficaz, índice semelhante ao adotado hoje no Brasil, o modelo prevê 43.686 mortes a menos que o cenário sem vacinação. Um esquema de vacinação intenso poderia, potencialmente, controlar a pandemia no Brasil em 365 dias e salvar milhares de vidas. O gráfico mostra que vacinando 2 milhões de pessoas por dia, o Brasil teria 191.110 óbitos a menos com uma vacina 50% eficaz, e 226.473 com uma vacina 90% eficaz. A nota foi feita em parceria com o departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ).


Confira a nota na íntegra


*Informações da Diretoria de Imagem Institucional da UFJF

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