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O Padre Discípulo e Missionário


Com grande alegria, nos reunimos no dia 5 de junho para agradecer a bondade de Deus para com o seu povo, dando-nos mais um Padre, mais um Pastor. Por feliz coincidência, pela segunda vez em poucos dias, refletimos sobre o evangelho de Mateus, em seu capítulo final. Nós o lemos na Solenidade da Santíssima Trindade e o retomamos para o dia feliz da Ordenação Presbiteral do Padre Alex Francisco da Silva.


Em cada momento que o lemos, um de seus aspectos se destaca. Na festa da Santíssima Trindade, meditamos sobre o Mistério Básico de nossa fé: Deus é um em três pessoas, porque Ele é um, mas não é sozinho, é comunhão. No dia da ordenação, contemplamos a missão dada por Jesus a seus apóstolos: ide e fazei discípulos meus todos os povos (Mt 28,20). Este tema está intimamente ligado ao lema de nosso II Sínodo Arquidiocesano: “Proclamai o evangelho pelas ruas e sobre os telhados” (Mt 10,27).


Sabendo que os Apóstolos são hoje os bispos, mas que unidos a eles os presbíteros participam intimamente deste ministério, como nos ensina a Igreja e como está bem evidente no Catecismo da Igreja Católica (CIC), contemplemos três aspectos do ministério presbiteral:


O que é o Sacramento da Ordem?


Para responder a esta pergunta, baseado no que diz o Concílio Vaticano II, podemos destacar que o Sacerdote é a continuação, no tempo, do único sacerdócio de Cristo. Literalmente diz o CIC: “É um dos meios pelos quais Cristo não cessa de construir e de conduzir sua Igreja”. Diz São Tomás de Aquino: “Somente Cristo é o verdadeiro Sacerdote; os outros são seus ministros”. Por isso, a Igreja sempre ensinou que o sacerdote age in persona Christi Capitis. Toda ação sacramental do padre é, na verdade, ação de Cristo.


Qual é o sentido específico do Ministério Presbiteral?


Podemos responder com o que nos ensina a Lumen Gentium, um dos principais documentos do Concílio Vaticano II: “Solícitos cooperadores da ordem episcopal, seu auxílio e instrumento, chamado para servir ao povo de Deus, os sacerdotes formam com seu Bispo um único presbitério, empenhados, porém, em diversos ofícios. Em cada comunidade local de fiéis tornam presente, de certo modo, o bispo, ao qual se associam com espírito fiel e magnânimo” (LG 31).


Na Presbyterorum Ordinis, lemos: “Estabelecidos na ordem do presbiterado através da ordenação, os presbíteros estão ligados entre si por uma íntima fraternidade sacramental; de modo especial, porém, formam um só presbitério na diocese para cujo serviço estão escalados sob a direção do Bispo próprio” (PO 8).


O que a Igreja espera hoje dos presbíteros?


Sobre isso vai dizer a Lumen Gentium: “eles são consagrados para pregar o evangelho, apascentar os fiéis e celebrar o culto divino…” (LG 28). A carta aos hebreus, por sua vez, vai dizer: os sacerdotes são constituídos para intervir em favor das pessoas em suas relações com Deus… (Hb 5,3).


O Padre é um homem para Deus e um homem para a Igreja. Ele é para o céu e para o povo que peregrina na terra. Ele, portanto, deve ser pessoa de oração, pois somente quem ora mantém-se em união com Deus.


Dom Gil Antônio Moreira Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

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