top of page
  • Foto do escritorRadio Catedral

CNBB divulga nota sobre uso do vinho canônico nas missas

Por Rádio Catedral


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou uma nota reforçando às Paróquias a importância do zelo pelo tipo de vinho utilizado nas missas.


O tema foi abordado após a fiscalização do Ministério do Trabalho resgatar 208 pessoas em trabalho análogo ao de escravo que eram trabalhadores terceirizados em vinícolas em Bento Gonçalves (RS).


“Quem ama a Deus ame também o seu irmão”

No texto publicado nesta terça-feira, 28, assinado pelo Secretário-Geral, Dom Joel Portella Amado, a CNBB expressa que “qualquer tipo de trabalho em condições que ferem o respeito pela dignidade humana não pode ser aprovado” e que “todas as denúncias devem ser investigadas nos termos da lei”.


A nota lembra que existem diversas vinícolas que oferecem vinho canônico no Brasil. Desse modo, a Conferência recomenda que “se busquem, para a celebração da missa, vinhos de proveniência sobre as quais não existam dúvidas a respeito dos critérios éticos na sua produção”.


Confira a íntegra da nota da CNBB

VINHO CANÔNICO
Quem ama a Deus ame também o seu irmão (1 Jo 4,21)
Brasília, 28 de fevereiro de 2023
A Igreja tem a responsabilidade de zelar pelo tipo de vinho utilizado nas celebrações das missas. A CNBB, por meio da Comissão Episcopal para a Liturgia, promoveu encontros com cerca de 15 vinícolas a respeito das caraterísticas de tal vinho.
Qualquer tipo de trabalho em condições que ferem o respeito pela dignidade humana não pode ser aprovado. Todas as denúncias devem ser investigadas nos termos da lei.
No Brasil existem diversas vinícolas que oferecem vinho canônico. Desse modo, é recomendável que se busquem, para a celebração da missa, vinhos de proveniência sobre as quais não existam dúvidas a respeito dos critérios éticos na sua produção.
Dom Joel Portella Amado Bispo auxiliar da arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ) Secretário-Geral da CNBB

Entenda o caso

De acordo com as informações divulgadas pelo Ministério do Trabalho, foi deflagrada ação de combate ao uso de mão de obra análoga ao de escravo na colheita de uva e em vinícolas em Bento Gonçalves (RS). A fiscalização culminou no resgate de 208 trabalhadores que atuavam nos parreirais e prestavam serviço para vinícolas e cooperativas locais.

Após uma denúncia de um grupo de trabalhadores que teriam fugido de um alojamento, onde estariam sendo agredidos pelo empregador e sem receber salários, começou a operação no dia 22 de fevereiro. O grupo de fiscalização de Caxias do Sul (RS) encontrou "um cenário de péssima situação, com cerca de 215 trabalhadores apinhadas num alojamento, sem segurança, higiene e sofrendo ameaças dos empregadores, inclusive agressões com uso de choques elétricos e spray de pimenta, que eram usados contra os trabalhadores", explicou o texto do Ministério do Trabalho.


Outra reclamação confirmada pela Inspeção é de que os trabalhadores foram recrutados na Bahia e estavam com dívidas de alimentação e transporte. E compravam produtos para consumo em um mercado local, que cobrava preços extorsivos. Segundo a fiscalização, eles tinham uma jornada iniciada às 4 da madrugada que terminava às 20h ou 21h.


Os trabalhadores prestavam serviços para empresas que contratavam mão de obra para grandes vinícolas locais, que já foram identificadas pela fiscalização. O governo não divulgou os nomes das empresas, apenas que elas se propuseram a realizar os pagamentos aos trabalhadores na semana seguinte à operação.


Os alojamentos foram interditados de imediato. Os trabalhadores foram encaminhados para um ginásio da Prefeitura de Bento Gonçalves. Os resgatados vão também receber 3 parcelas de seguro-desemprego, pagos pelo Ministério do Trabalho e Emprego.


A ação coordenada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) teve apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF), do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Defensoria Pública da União (DPU).


Denúncias de trabalho escravo podem ser feitas de forma anônima via Sistema Ipê, ferramenta lançada em 2020 pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

13 visualizações0 comentário

Comments


bottom of page