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“Azul é teu manto, branco é teu véu”: exposição no Forum da Cultura destaca representações de Nossa Senhora

Por Rádio Catedral


“Mãezinha do céu, eu não sei rezar; Eu só sei dizer: quero te amar; Azul é teu manto, branco é teu véu; Mãezinha eu quero te ver lá no céu...”. A canção nascida da fé do povo, que percorreu gerações e que ainda segue aquecendo corações, é a fonte de inspiração para o título da nova exposição do Museu de Cultura Popular, no Fórum da Cultura da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

 

Quando tocadas pelas mãos humanas, matérias-primas como a porcelana, o gesso, a madeira, a resina, entre outras utilizadas para criação das peças, se transformam em símbolos de fé, crença e devotamento. “Azul é teu manto, branco é teu véu” propõe, segundo Franciane Lúcia, do Fórum da Cultura, uma incursão através da história, memória e cultura, permitindo reflexões sobre a importância do patrimônio religioso.



Conforme Franciane Lúcia são dezenas de obras na exposição criadas por diversos artesãos e variados materiais, peças inspiradas por relatos das aparições de Nossa Senhora, milagres e por outras ocasiões especiais ligadas à mãe de Jesus Cristo.



As peças em exibição são oriundas de cidades como Mariana (MG), Belo Horizonte (MG), Ouro Preto (MG), São João del-Rei (MG) e Juiz de Fora (MG), além de uma obra da Itália e compõem o acervo do Museu, além de obras emprestadas por colecionadores, de acordo com Franciane Lúcia.



As visitas à exposição no Museu de Cultura Popular do Forum da Cultura são gratuitas.




Destaques da Exposição

 *Fonte: Forum da Cultura


Entre os destaques estão algumas peças que representam Nossa Senhora da Conceição, como a de autoria de Ida Vasconcelos, que traz as tonalidades e texturas inerentes à terracota, e a de Régis Kerusk, criada em cerâmica, que com sua riqueza de detalhes, conquista os olhares mais atentos e desperta sensações de contemplação. Também chama a atenção a imagem de Nossa Senhora Aparecida, criada em saco de aniagem, pelo artista Expedito. A obra reforça as infinitas possibilidades criativas que nascem a partir das particularidades de cada região do país.

 

O público poderá ainda conferir o trabalho do artista mineiro Jorge Cruz, que apresenta estatuárias de Nossa Senhora da Conceição em cerâmica. Nestes trabalhos o artista optou por pintar as peças com tinta fosca, deixando apenas os olhos das santas com tintura a óleo, o que dá um brilho especial que atrai e confere a pureza que tais figuras carregam.

 

A pintura “Madona” (60 x 70 cm), da artista plástica Nice Nascimento Avanza, também compõe a exposição, encantando pela vivacidade de suas tonalidades e traços diferenciados. A obra, feita em óleo sobre tela e datada de 1978, carrega elementos marcantes na identidade visual da artista capixaba, como, por exemplo, referência à fruta cacau. Autodidata, Nice não se preocupava com o discurso erudito em seus trabalhos. A artista buscava captar elementos do seu entorno e os transformava em arte plástica. Cenas religiosas e do dia a dia no campo aparecem muito em suas obras. Dessa forma, figuras do catolicismo são retratadas, algumas delas com elementos que não correspondem às representações tradicionais.

 

Museu de Cultura Popular – UFJF

 

Com um rico acervo de mais de 3 mil peças, o Museu de Cultura Popular é um importante espaço de preservação, resgate e valorização da arte oriunda de expressões e tradições populares.

 

Entre estatuárias, artefatos indígenas, brinquedos antigos, peças de crenças religiosas e outros diversos itens, das mais distintas origens, o visitante tem a oportunidade de realizar uma verdadeira viagem a outros tempos e locais, muitas vezes desconhecidos. O museu abriga objetos da cultura nacional e também de estrangeiras.

 

As peças, de natureza singular, aguçam a curiosidade e atuam como pontos de contato entre pessoas e culturas diferentes, propiciando, dessa forma, um intercâmbio extremamente importante para a sociedade.

 

O Museu, criado em 12 de março de 1965 – data que marcou o centenário do folclorista Lindolfo Gomes –, foi transferido para o espaço do Forum da Cultura em 1973, sendo doado à UFJF em 30 de setembro de 1987. Sua origem está no trabalho do Prof. Wilson de Lima Bastos, que criou o então chamado “Museu do Folclore”, mais tarde renomeado como “Museu de Cultura Popular”.

 

Forum da Cultura

 

Instalado em um casarão centenário, na rua Santo Antônio, 1112, Centro, o Forum da Cultura é o espaço cultural mais antigo da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Em atividade há mais de cinco décadas, leva à comunidade diversos segmentos de manifestações artísticas, abrindo-se a artistas iniciantes e consagrados para que divulguem seus trabalhos.

 

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