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Artigo de escritor juiz-forano é publicado pelo ‘Vatican News’


Nesta semana, o artigo “A Igreja é santa e santificante”, do escritor juiz-forano Luís Eugênio Sanábio e Souza, foi publicado no Site Vatican News. Esse é o sexto texto do autor a ser divulgado pelas mídias vaticanas. O Jornal L’Osservatore Romano também reproduziu editoriais.


Segundo Luis Eugênio, “este texto foi assinado neste momento doloroso para a Santa Sé Apostólica, que, a pedido do Papa, publicou um amplo relatório sobre abusos sexuais que um ex-cardeal cometeu no passado. “O texto”, conforme Luís, “explica, à luz da fé e da razão, o porquê a Igreja permanece santa tendo em seu seio, ao longo dos séculos, membros pecadores”.


Leia o artigo na íntegra:


A Igreja é santa e santificante


A Igreja, em razão de sua santidade, de sua unidade católica, de sua constância invicta, é ela mesma um grande e perpétuo motivo de credibilidade e uma prova irrefutável de sua missão divina”.


Luís Eugênio Sanábio e Souza – Escritor


Nestes momentos dolorosos em que a Santa Sé Apostólica reconhece e expõe pecados tão graves cometidos por membros do clero a quem foi dado uma peculiar missão de testemunhar o caminho, a verdade e a vida que se encontram em Nosso Senhor Jesus Cristo (João 14,6), parece-me importante refletir sobre como a Igreja permanece santa reunindo em seu próprio seio os pecadores.


Desde os primeiros séculos do cristianismo, se diz em latim que a Igreja Católica é “immaculata ex maculatis”, ou seja, a Igreja é “imaculada composta de maculados”. Mas, como compreender esta expressão de Santo Ambrósio que nasceu no longínquo ano de 340?  Como compreender que a Igreja é santa, se ela é composta de pecadores?


Na Bíblia, São Paulo nos diz que Cristo amou a Igreja e entregou-se por ela, para a santificar (Efésios 5,26). Isso significa que a Igreja é santa porque foi instituída por Deus para a santificação dos homens e por isso Cristo nunca a abandona ao poder do mal (Mateus 16,18).  Assim, a Igreja não é santa pelos nossos méritos, mas é santa porque Deus a santificou para a nossa salvação. A Igreja é, portanto, santa e santificante. Assim, certa vez o Papa São João Paulo II pôde dizer aos bispos brasileiros que “a Igreja é santa em Cristo, mas pecadora em nós” (Mensagem para a Campanha da Fraternidade de 1990 no Brasil).


A Igreja reconhece que na sua história bimilenar não faltaram erros e defeitos humanos graves: o próprio apóstolo Pedro, primeiro Papa, reconhecia ser pecador (Lucas 5,8). Pedro, homem frágil, foi eleito por Cristo para guiar a Igreja precisamente para que fosse evidente que a vitória é só de Cristo, e não resultado das forças humanas.


A Bíblia diz, precisamente na Segunda Epístola aos Coríntios, que Deus quer levar em vasos frágeis de barro o seu próprio tesouro através dos tempos. Por quê? A resposta do apóstolo Paulo é clara:  “Para que se torne evidente que a superioridade do poder pertence a Deus, e não a nós” (2 Cor 4,7). Sendo ao mesmo tempo divina e humana, a Igreja é um mistério que só pode ser acolhido na fé. “A Igreja está na história e ao mesmo tempo a transcende. É unicamente com os olhos da fé que se pode enxergar em sua realidade visível, ao mesmo tempo, uma realidade espiritual, portadora de vida divina” (Catecismo da Igreja Católica nº 770).


A unidade, a santidade e a catolicidade da Igreja são dons divinos. Mas as manifestações históricas destas propriedades divinas falam também com clareza à razão humana. “A Igreja, em razão de sua santidade, de sua unidade católica, de sua constância invicta, é ela mesma um grande e perpétuo motivo de credibilidade e uma prova irrefutável de sua missão divina” (Concílio Vaticano I: Dei Filius, capítulo III).


Nos santos brilha a santidade da Igreja. De fato, os santos e as santas sempre foram fonte e origem de renovação nas circunstâncias mais difíceis da história da Igreja. Assim, “as promessas do Senhor de nunca abandonar a sua Igreja (Mateus 16,18; 28,20) e de guiála com o seu Espírito (João 16,13) comportam que, segundo a fé católica, a unicidade e unidade, bem como tudo o que concerne a integridade da Igreja, jamais virão a faltar” (Congregação para a Doutrina da Fé:  Declaração Dominus Iesus nº 16).


“A Igreja é santa, mesmo tendo pecadores em seu seio, pois não possui outra vida senão a da graça: é vivendo de sua vida que seus membros se santificam; é subtraindo-se à vida dela que caem nos pecados e nas desordens que impedem a irradiação da santidade dela. É por isso que ela sofre e faz penitência por essas faltas das quais tem o poder de curar seus filhos, pelo sangue de Cristo e pelo dom do Espírito Santo” (Papa São Paulo VI:  Credo do Povo de Deus: Solene profissão de fé, 19).


Assim, podemos admitir com fé que “ninguém pode ter a Deus por Pai, se não tiver a Igreja por Mãe” (São Cipriano, século III).


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